Maldita troika e Governo que 'deram' o dinheiro dos contribuintes aos banqueiros para salvar os bancos. (via Facebook, Duarte Marques, 28-12-2016)
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quarta-feira, 4 de janeiro de 2017
segunda-feira, 10 de outubro de 2016
E agora Galamba, o que é que vais celebrar?
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| Económico 2-3-2015 |
No ano em que o PIB português progrediu 1,6%, o sempre cómico João Galamba, um dos 12 mágicos do cenário que previa um crescimento de 2,6% ao ano, afirmava ser "difícil de perceber o que celebram Passos e Portas".
Pois bem. Agora que o governo socialista de António Costa, acompanhado pelo silêncio ensurdecedor do PCP e do BE, prevê para este ano apenas um crescimento de 1,2% e de 1,7% para 2017, mas em que o Banco de Portugal "aponta para uma desaceleração do PIB, de 1,6 por cento em 2015 para 1,1 por cento em 2016", e em que o "consumo privado deverá desacelerar de 2,6 por cento em 2015 para 1,8 por cento em 2016", é caso para perguntar ao João Galamba o que vai celebrar.
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terça-feira, 5 de julho de 2016
“Um país à beira de uma crise”, diz o Commerzbank
Fonte "Observador 16-6-2016"
Quando o tema das sanções continua em cima da mesa, com adiamentos sucessivos de uma decisão, o relatório do conceituado Commerzbank de meados de Junho deste ano faz cada vez mais sentido.
Nele se afirma que "a inversão de marcha na política económica que o novo governo está a realizar ameaça os progressos que Portugal fez nos últimos anos“.
"O Commerzbank partilha com os seus clientes a preocupação com a “perda de competitividade“, algo que “tinha melhorado muito nos últimos anos”. O banco nota que os ganhos de competitividade dos últimos anos tinham permitido “às empresas portuguesas aumentar as suas quotas de mercado, aumentar as margens de lucro das empresas, dinamizar os seus investimentos e, portanto, foram decisivos para apoiar a recuperação sustentada dos últimos anos”.
“Agora, prevê-se que os custos unitários do trabalho voltem a subir de forma significativa nos próximos trimestres”, diz o Commerzbank. Isto porque, recordam os economistas, o salário mínimo foi aumentado em 5% no início do ano, com aumentos de mais 13% previstos para os próximos três anos. O banco assinala, ainda, outras medidas como as 35 horas na Função Pública, o regresso dos quatro feriados e a provável recuperação dos três dias de férias adicionais para quem não falta ao trabalho.
Em finais de outubro de 2014, o mesmo Commerzbank emitia uma nota semelhante a esta em que dizia que Portugal estava “a mostrar [aos outros países] qual é o caminho”. Mas já no início deste ano descrevia Portugal como “a nova criança problemática da zona euro“.
“A experiência anterior com tentativas similares, em outros países, torna pouco provável que este caminho resulte em sucesso“. “Existe, na realidade, um risco de que Portugal volte a sofrer um declínio económico"
“No melhor dos cenários, a economia parece caminhar para um crescimento de 1%, enquanto o governo baseia o seu orçamento num crescimento de 1,8%”, diz o Commerzbank. O cumprimento das metas acordadas com a Comissão Europeia parece “muito questionável”.
E estas são sem dúvida as questões que estão em cima da mesa, quando se fala em sanções da Comissão a Portugal, e não um julgamento do anterior governo, como a geringonça quer a todo o custo fazer querer.
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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016
terça-feira, 19 de janeiro de 2016
“Portugal é a nova criança problemática” da zona euro
Lá fora já começam a perceber as manobras do poucochinho e já se preparam para cortar a colecta...
Arrasador este relatório do Commerzbank. Em menos de dois meses, a governação syrizica de António Costa, suportada pela extrema esquerda, já está a produzir resultados:
"Os juros da dívida portuguesa estão a subir esta segunda-feira, contrariando a tendência de alívio que se verifica na generalidade dos países europeus. A 'yield' das obrigações a dez anos segue em máximos de Novembro, e a percepção de risco no nível mais alto desde Julho (...), prolongando a tendência de agravamento das últimas semanas".
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quarta-feira, 14 de outubro de 2015
Nem mais!
O país irá ter, assim, um governo de frente popular, durante seis meses, que reverterá todas as medidas do governo anterior. O que se seguirá depois é óbvio: juros a disparar, ausência de financiamento externo, colapso do sistema bancário e provável novo resgate”. (in i 14-10-2015, por Luis Menezes Leitão)
"o espaço à direita do PS, sairá, não se duvide, ileso de tudo isto. Enganado mas incólume. Se vierem a desaguar na oposição, PSD e CDS serão implacáveis. Mais unidos que nunca, quando falam do país sabem o que dizem e do que falam. Estão serenos como um lago suíço e, ao contrário de António Costa, não estão desesperados, nem têm pressa. Sabem que o tempo corre a seu favor. Têm agido com responsabilidade e inteligência política. Não foi devido a eles que as bolsas já hoje se inquietaram e ainda a procissão não saiu da igreja.
E mesmo sabendo nós que na política há ainda mais surpresas do que na vida, o mal está feito: haja ou não haja estreia da peça, António Costa não terá, face ao país ou face a mim mesma, uma segunda oportunidade para se redimir deste seu assalto ao poder". (In Observador 14-10-2015, por Maria João Avilez)
Sim, porque é de um puro e simples assalto ao poder, aquilo a que estamos a assistir, por parte de António Costa e da esquerda radical, numa lógica de poder pelo poder, com o único fim de impedir, por todos os meios, que quem ganhou governe, e tendo como programa apenas a reversão de todas as medidas do anterior governo.
Como disse Sá Carneiro "A politica sem risco é uma chatice mas sem ética é uma vergonha". E ética é um conceito que tem andado muito afastado para os lado do Largo do Rato.
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terça-feira, 22 de setembro de 2015
Quando Portugal pediu ajuda, os cofres públicos só tinham €300 milhões
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| Expresso Maio 2011 |
"Quando Portugal pediu ajuda, os cofres públicos só tinham €300 milhões. Sem auxilio externo, não há dinheiro para junho.
Na semana em que José Sócrates decidiu finalmente avançar para o pedido de ajuda internacional, os cofres do Estado estavam praticamente a zero."
Porque a memória é curta, especialmente a dos socialistas, nunca é demais recordar certas verdades.
quinta-feira, 17 de setembro de 2015
As dez vergonhas gregas que nunca nem o Podemos nem o Syriza te contaram*
Domingo a Grécia vai a votos novamente, apenas 8 meses depois das últimas eleições que deram a vitória à extrema esquerda. Vamos ver qual vai ser a escolha dos gregos, quando após 8 meses de governação syrizica, o país está claramente pior que em Janeiro.
Mas se Tsipras contribuiu fortemente para afundar ainda mais a Grécia, que apesar de tudo registava no final do ano passado sinais de crescimento, a verdade é que a tragédia grega começou muito antes. Será possível continuar a governar um país assim? Será possível ao Syriza continuar a esconder as verdadeiras razões da crise grega? Porque é que durante estes 8 meses nunca o Syriza aceitou que são os gregos e só eles o culpados pelo estado em que se encontra o país, colocando as culpas todas nos seus parceiros europeus, que tudo fizeram (e estão a fazer) para ajudar o povo grego?
Um texto que em 10 pontos resumidos e numa linguagem clara, mostra porque é que em tão pouco tempo a Grécia vai para o terceiro resgate financeiro:
«A Grécia é não só um país falido, mas também uma das economias mais pobres e menos desenvolvidas da Europa desde há décadas. E isto, curiosamente, seguindo os ditames da esquerda radical - posto que o Estado grego caracterizou-se por ser um dos mais intervencionistas da Europa (estava no 100º lugar mundial da fragilidade de fazer negócios quando começou a crise do euro) e com um dos mais elevados níveis de gastos públicos.
A origem da tragédia grega, ao contrário do que defendem o Syriza e o Podemos, não reside na austeridade, mas sim no enorme e insustentável setor público. A Grécia foi o país da UE que mais aumentou o seu gasto público real (cerca de 80% entre 1996 e 2008) e a sua divida pública (400% superior à receita pública de 2011) desde os felizes anos da bolha de crédito. Mas estes grandes números, sendo relevantes, traduzem-se também em factos muito concretos, cuja realidade ocultam habilmente os partidos como o Syriza ou o Podemos em Espanha.
Em seguida, resumem-se as dez grandes vergonhas Gregas que a esquerda europeia se nega a reconhecer. A ruina grega é uma história cheia de mentiras, desperdícios e uma enorme hipocrisia.
1 – Mentiram sobre o défice público
O primeiro facto a assinalar é que os políticos gregos ocultaram o seu défice público real durante anos. Quando o novo governo chegou a Atenas em 2009, encontrou-se com um perdão fiscal correspondente a 14% do PIB, em oposição aos dados oficiais de Bruxelas que era de 3.7%.
De um dia para o outro, o défice passou de 7000 para 30000 milhões de euros, quase quatro vezes mais. Este manifesto embuste evidencia a enorme irresponsabilidade política dos diferentes governos gregos.
2 – Atenas recorreu à banca de investimento
A esquerda descarrega constantemente contra os mercados, em geral, e a malvada banca de investimento, em particular, mas esquecem-se que a sua admirada Grécia recorreu aos financiamentos de Wall Street para ocultar as suas contas desastrosas.
O anterior governo presidido por Yorgos Papandreu reconheceu que a Grécia mentiu nas contas do défice e da dívida para entrar no euro, oferecendo dados falsos até 2009, valendo-se, entre outros, dos serviços da Goldman Sachs. Com isto assinala-se que o actual Presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, dirigia as operações da Goldman Sachs na Europa em 2002, quando a Grécia iniciou as suas operações fraudulentas de engenharia financeira.
3 – O Estado causou a falência da banca
Outra verdade é que, no caso da Grécia, a falência da banca grega foi responsabilidade direta do Estado grego, e não o contrário. As entidades bancárias foram encarregadas da dívida pública grega durante os anos da bolha para financiar o enorme e sumptuoso gasto de diversos governos. Por isso, a banca grega entrou em falência quando se removeu 50% dos títulos gregos nas mãos dos credores privados em 2011, após o acordo do 2º plano de resgate da Troika.
Posteriormente, a Europa teve de injectar dinheiro extra para salvar os depósitos gregos. Isto é, os depositantes gregos foram resgatados com o dinheiro dos contribuintes europeus através da Troika, depois da insolvência de Atenas, que arrastou a banca para a falência.
4 – Vida a correr bem, mas com dinheiro dos outros
Durante a bolha a Grécia viveu muito acima das suas possibilidades reais, recorrendo a uma prodigiosa dívida pública para poder financiar esse nível intolerável de gastos. Mais de metade da economia grega dependia, de uma ou outra forma, do maná estatal, criando assim uma grande estrutura clientelar à base de “jobs for the boys”, corrupção, subvenções.
Seguem alguns exemplos:
• Durante anos, e tendo um PIB per capita muito inferior ao de Espanha, o salário mínimo grego era 50% superior.
• Durante décadas, quando um partido chegava ao poder colocava pessoas no sector público a troco dos seus votos, acrescentando de forma insustentável a pandilha estatal.
• O Hospital Evagelismos, um dos principais de Atenas, por exemplo, chegou a ter 45 jardineiros para cuidar de quatro jarras na sua entrada; alguns organismos públicos contavam com 50 condutores por carro, um antigo ministro da agricultura criou uma unidade não contabilizada de 270 pessoas para digitalizar as fotografias das terras públicas gregas, sem que nenhum dos contratados tivesse experiência na fotografia digital, pois eram carteiros, cabeleireiros, agricultores e em geral filiados no partido…
• O gasto em educação, saúde e políticas sociais, foi de longe a que mais aumentou até ao estalar da crise da dívida, superando os 31% do PIB em 2012.
• Além disso, a Grécia, essa grande referência da esquerda radical, era o país da UE que mais dinheiro destinava a gastos militares antes da crise, com uma média superior a 4% do PIB.
5 – Excesso de funcionários e ineficiência
O emprego público é, sem dúvida, um dos grandes paradigmas do desastre grego.
– Durante a bolha, Atenas nem sequer sabia quantos empregados tinha; os sindicatos estimavam uns 700 mil, enquanto o governo falava de 800 mil; mas se somarmos os contratos a termo, o valor superou um milhão de pessoas em 2007, equivalente a 10% da população e quase 20% da força laboral do país.
– Ganhavam em média 1350 euros mensais, superando o salário médio existente do sector privado. Mas o relevante era que o lucro dos funcionários públicos era muito maior: além de receberem 2 salários extra, recebiam bónus e recomendações adicionais citando todo o tipo de desculpas, como chegar ao trabalho no tempo previsto, apresentar-se correctamente vestido, usar o computador ou falar línguas. Os guardas florestais, por exemplo, recebiam um bónus por trabalharem ao ar livre.
– Somando todos esses extras, os funcionários públicos gregos chegavam a receber de média mais de 70 mil euros anuais, enquanto os alemães recebiam 50 mil euros anuais.
– Mesmo assim, os funcionários também recebiam uma pensão vitalícia de 1000 euros mensais para as filhas solteiras de empregados falecidos, entre muitos outros privilégios e regalias.
– Grécia tinha quatro vezes mais professores que a Finlândia, o país que melhores notas tinha nos exames de PISA referentes à qualidade educativa, mas essa superabundância de docentes só serviu para o país estar entre os piores países com pior nível de ensino da Europa. Muitos gregos que enviavam os seus filhos para escolas públicas, tinham que contratar professores particulares de reforço.
– Outro dado curioso é que na Saúde Pública a Grécia era a que mais gastava em consumos intermédios, superando a média da UE, sem que os gregos tivessem mais doentes que os restantes europeus. Motivo? Um dos muitos escândalos destapados durantes os últimos anos era a tradição entre médicos e enfermeiros de sair dos hospitais carregados com todo o tipo de material higiénico e sanitário.
6 – Empresas públicas, o cúmulo do desperdício
No entanto, para além do número desproporcionado de funcionários públicos, os seus salários ou a grave ineficiência dos seus serviços era a sua superdimensionada estrutura estatal, tendo centenas de empresas, organismos e entidades inúteis. Basta assinalar alguns exemplos para nos apercebermos do absurdo:
• O salário médio da Renfe [equivalente da REFER portuguesa] grega, chegou a superar os 70 mil euros anuais, incluindo profissões de baixa qualificação. A sua receita operacional rondava os 100 milhões de euros anuais, enquanto os seus gastos superavam os 700 milhões.
• “Há vinte anos atrás, um próspero empresário chamado Stefanos Manos, nomeado depois ministro das finanças, sugeriu que seria mais barato colocar todos os passageiros das linhas férreas gregas em táxis – continua a ser verdade.”, tal como detalha Michael Lewis no seu livro: “Boomerang: Travels in the New Third World”, onde se explica parte dos excessos gregos cometidos durante a borbulha.
• O orçamento do metro de Atenas rondava os 500 milhões de euros anuais, e ganhava com a venda de bilhetes apenas 90 milhões.
• A Grécia também criou um comité para gerir o Lago Kopais, mesmo estando seco desde 1930.
• Após o resgate da Troika, Atenas anunciou a eliminação ou fusão de 75 organismos públicos, em que trabalhavam mais de 7 mil pessoas, e que anualmente recebiam cerca de 2700 milhões de euros (uns 386 mil euros por empregado).
7 – Reformas douradas
Até ao estalar da crise, os gregos podiam-se reformar pouco depois dos 61 anos, recebendo cerca de 96% do seu salário, sendo um dos sistemas de pensões mais generoso e insustentável da UE.
Na Grécia existiam cerca de 600 categorias laborais, que alegando motivos de saúde, poderiam optar pela reforma antecipada, estabelecida para os homens aos 55 anos e para as mulheres aos 50 anos. E entre estes últimos beneficiados havia todo o tipo de profissões, desde cabeleireiros até trompetistas, flautistas, cozinheiros, massagistas e incluindo apresentadores de TV, entre outros.
Precisamente por isso, os gregos beneficiavam da maior esperança de vida após a reforma, não por viverem mais anos, mas por se reformaram antes. Em concreto, ao passo que a média da OCDE era de 18.5 anos, os gregos disfrutavam de 24 anos da existência plácida da reforma, sustentada por um crescente volume de dinheiro emprestado em forma de dívida pública.
Além disso, o controlo sobre a gestão das pensões era inexistente. Durante a crise, detectaram-se milhares de familiares que recebiam reforma depois dos seus titulares terem falecido, ou recebiam certas prestações sem terem direito a elas.
8 – Subornos e evasão fiscal
A Grécia destaca-se também por liderar todos os indicadores europeus de evasão fiscal. Antes da crise, um em cada quatro trabalhadores não pagavam nada de impostos, de modo que os cofres públicos deixavam de receber entre 15 mil a 20 mil milhões de euros ao ano.
Antes da crise, cerca de 5 mil gregos declaravam que recebiam mais de 100 mil euros por ano – isto numa população de quase 12 milhões. Lewis explica no seu livro que dois terços dos médicos não pagavam um único euro em impostos, pois nos seus rendimentos declaravam menos de 12 mil euros anuais.
Os subornos estavam na ordem do dia. Alguns estudos lembram que os gregos gastavam cerca de 800 milhões de euros em subornos, para evitar o pagamento de multas ou para que os funcionários fechassem os olhos, incluindo os inspectores fiscais. Para termos noção, o ministério das finanças despediu, há escassos anos, 70 funcionários com um ativo imobiliário médio de cerca de 1.2 milhões de euros, quando o seu salário não superava os 50 mil euros anuais.
Outro dado alarmante é que o número de trabalhadores por conta própria na Grécia era dos mais elevados da UE, não por serem especialmente empreendedores, mas pela facilidade de ocultarem dados do Fisco. Como se isso não bastasse, em anos eleitorais, como em 2009, a recolha de impostos baixava de forma substancial (cerca de 30% do PIB), pois os políticos a nível local perdoavam impostos com o objectivo de arrecadarem votos.
9 – Dívida pública exagerada
Como consequência desta farra de gastos e crescimento estatal, o país financiou-se emitindo dívida. A Grécia foi o país que mais recorreu à dívida privada durante a época da bolha financeira e com isso a sua factura anual de juros era cerca de 12% da receita pública até ao 2º resgate (em 2011 antes do resgate, chegou aos 17%), no entanto na Alemanha o valor era de 6%.
10 – Podem pagar, mas não querem
Syriza e Podemos reclamam agora um novo corte da dívida soberana, mesmo que o Estado grego se tenha endividado voluntariamente para cometer todos os excessos descritos anteriormente – em vez da Grécia assumir a responsabilidade e pagar o que deve.
Mesmo que muitos digam que é impossível, é certo, segundo o BCE, que Atenas possuiu uma enorme carteira de ativos públicos, estimada em cerca de 300 mil milhões de euros, incluindo empresas, infraestruturas, ações, participações, solo e todo o tipo de bens. A Grécia também podia vender ilhas, praias, ouro, e até monumentos, se fosse necessário, com a meta de cumprir os seus compromissos e evitar o doloroso estigma da falência e possível saída do euro.
Não seria necessário chegar tão longe, bastava que Atenas reduzisse o peso do Estado para metade (uns 60 mil milhões de euros) com a privatização das pensões, saúde e educação, e vendesse 50% dos seus ativos (outros 100 mil milhões por baixo), e a sua dívida ficaria a cerca de 70% do PIB. Além disto, unido ao compromisso do equilíbrio das contas públicas (défice zero) e um ambicioso plano de reformas para liberalizar a economia e baixar os impostos, poderia reduzir ainda mais o seu endividamento a médio prazo por via do crescimento económico. A Grécia pode pagar, só que não quer, e tudo indica que não pague.»
* Tradução do texto inicialmente publicado no LibreMercado por M. LLamas, e traduzido por Jóni Coelho e publicado por Rui Santos.
terça-feira, 14 de julho de 2015
E agora PS, o que é que querem para Portugal?
PS defende que acordo só foi possível graças aos socialistas europeus, e que “Na última semana, o secretário-geral do PS [António Costa] participou em várias reuniões de líderes do Partido Socialista Europeu (PSE) e reforçou a necessidade de unidade e de um caminho alternativo.... "Trabalhamos para encontrar novos caminhos para o desenvolvimento no quadro da construção europeia, consolidando alianças, desenhando novas soluções. Com o PS, Portugal não ficará a falar sozinho na Europa"
Afinal o PS e António Costa vêem agora congratularem-se com aquilo a que se sempre se opuseram: um acordo que impõe medidas de austeridade muito mais drásticas do que aquelas que os gregos recusaram por expressiva maioria (61%) a 5 de Julho. Mas este acordo vai levar a Grécia a um 3º resgate internacional, algo que verdade seja dita o PS sempre defendeu para Portugal, que poderá atingir os 86 mil milhões de euro, superior ao que Portugal se viu obrigado a assinar em 2011 (78 mil milhões de euro), era o PS governo.
Percebem-se agora de forma claríssima as palavras de António Costa, quando afirmou que a "Vitória do Syriza é um sinal de mudança que dá força para seguir a mesma linha". Ou seja, o que o PS e António Costa desejam é que Portugal se veja na contingencia de pedir mais um resgate internacional, voltarmos a ter a troika em Portugal, a dizer o que temos que fazer e principalmente o regresso de mais e mais dura austeridade, numa altura em que as contas do país mostram claros sinais de que vamos no caminho certo e que os sacrifícios pedidos aos portugueses ajudaram Portugal a sair de uma situação de quase bancarrota, em que os socialistas deixaram o país em 2011.
Mais, o PS continua a lidar mal com o sucesso de Portugal e dos portugueses. Depois de passar meses a afirmar que o governo português estava na linha da frente no ataque à Grécia e que era um dos principais países (se não mesmo o principal) que impedia que não se tivesse chegado mais cedo a um acordo, isolando o país na cena politica europeia, o PS não conseguiu ainda digerir que Portugal e Pedro Passos Coelho tiveram não só uma intervenção positiva, que permitiu chegar ao acordo agora alcançado, mas que tal participação foi sempre feita em total sintonia com a maioria dos parceiros europeus, não tendo estado, nem estando, Portugal isolado em algum momento.
A este propósito Ricardo Costa (irmão do outro que quer ser primeiro ministro e conhecido por não ser um simpatizante do actual governo português), resume nestes dois parágrafos de forma sucinta, mas esclarecedora, o papel de Portugal neste processo, atribuindo os louros a quem os merece e esclarecendo inequivocamente quem é que realmente sempre dificultou a obtenção deste acordo.
A este propósito Ricardo Costa (irmão do outro que quer ser primeiro ministro e conhecido por não ser um simpatizante do actual governo português), resume nestes dois parágrafos de forma sucinta, mas esclarecedora, o papel de Portugal neste processo, atribuindo os louros a quem os merece e esclarecendo inequivocamente quem é que realmente sempre dificultou a obtenção deste acordo.
Mas, para a história do acordo, a proposta final teve, de facto, o contributo da delegação portuguesa. Este facto contradiz uma ideia feita, e bastante errada, que passou por colocar Portugal no pelotão da linha dura do Eurogrupo. Isso não é verdade. É certo que, numa primeira fase de conversas com a Grécia, quer Portugal quer, sobretudo, Espanha se opuseram a soluções fáceis, porque isso poria em causa as suas estratégias de ajustamento e de posicionamento eleitoral a meses de eleições nacionais. Mas é ainda mais certo que essas “soluções fáceis” nunca teriam o apoio da verdadeira linha dura do Eurogrupo.
Só quem não conhece bem as tensões políticas da Zona Euro é que podia achar que seriam Portugal ou Espanha a impedir um acordo com a Grécia. As dificuldades mais sérias sempre foram com a Alemanha, a Finlândia, a Holanda, os Estados Bálticos, a Áustria ou a Eslováquia.
Só falta agora o PS e António Costa, mas também Catarina Martins e os nossos syrizicos , virem de uma vez por todas esclarecer os portugueses se as condições do acordo agora conseguido por Alexis Tsipras, é ou não o caminho que defendem para Portugal, como têm vindo permanentemente insistindo.
Só quem não conhece bem as tensões políticas da Zona Euro é que podia achar que seriam Portugal ou Espanha a impedir um acordo com a Grécia. As dificuldades mais sérias sempre foram com a Alemanha, a Finlândia, a Holanda, os Estados Bálticos, a Áustria ou a Eslováquia.
Só falta agora o PS e António Costa, mas também Catarina Martins e os nossos syrizicos , virem de uma vez por todas esclarecer os portugueses se as condições do acordo agora conseguido por Alexis Tsipras, é ou não o caminho que defendem para Portugal, como têm vindo permanentemente insistindo.
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domingo, 12 de julho de 2015
E que tal porem os gregos a pagar impostos como deve ser?
Andam para aí uns esquerdoides irresponsáveis a falarem em perdoar parte da divida aos gregos (esquecendo-se que já lhes perdoaram em 2012 [o famoso hair-cut] 107 mil milhões de euro, mais do que o valor do nosso resgate de 78 mil milhões de euro em 2001) a lamentarem-se que os gregos são uns coitadinhos, que a Europa deve ser solidária com o povo grego (ainda mais do que tem sido), que até são os que trabalham mais horas na Europa, e que é o país europeu com maior taxa de desemprego (26%)....
E que tal porem os gregos a pagar impostos e a pagarem eles próprios os seus desvarios?
terça-feira, 7 de julho de 2015
segunda-feira, 29 de junho de 2015
A coerência grega ou como se muda de posição de um dia para outro
Sábado 27 de Junho - Governo grego não planeia impor controlo de capitais e bancos abrem na segunda-feira
Domingo 28 de Junho - Num primeiro momento é anunciado por Alexis Tsipras o controlo de capitais e que Os bancos e a bolsa de valores gregos vão permanecer encerrados esta segunda-feira.
Mais tarde, soube-se que este encerramento se vai prolongar até dia 7 de julho e que as caixas multibanco vão estar desligadas esta segunda-feira e que a partir de terça-feira os gregos só poderão levantar 60 euros por dia.
Que estabilidade pode a Grécia em particular e a Europa no geral, esperar com estes governantes syrizicos? E é bom não nos esquecermos que este é o mesmo governo, que segundo António Costa, Portugal devia seguir como exemplo.
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quinta-feira, 9 de abril de 2015
Juros a 2 anos -0,4% - Lembram-se da maldita espiral recessiva?
Lembram-se da maldita espiral recessiva?
Lembram-se da ideia da renegociação da divida?
Lembram-se do manifesto dos marretas?
Lembram-se do manifesto dos simpáticos, daqueles que queriam colocar os interesses gregos à frente dos nossos, entre os quais se incluem pelo menos dois pré-candidatos a Presidente da República?
Lembram-se daqueles que queriam que seguíssemos os passos dos gregos?
Portugal saiu da crise? Estamos agora bem e sem problemas? Claro que não.
Ainda temos um longo caminho a percorrer, mas estas notícias de hoje, são mais um exemplo de que estamos no bom caminho e que não podemos voltar aos tempos do despesismo e desvarios socialistas, que nos levaram a pedir a ajuda externa em 2011, quando os mesmos juros, que hoje tocaram pela primeira vez na nossa história valores negativos, atingiam os 17,5%.
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015
quarta-feira, 28 de janeiro de 2015
PS no governo, Portugal intervencionado
"A história repete-se, primeiro como tragédia depois como farsa"
Porque a memória do povo é curta, nunca é demais relembrar, que sempre que o PS foi governo, Portugal acabou intervencionado
terça-feira, 26 de agosto de 2014
Mais um dia negro para as carpideiras e para os Antónios
Juros portugueses recuam para mínimos históricos.
Um custo de financiamento da dívida a 10 anos tão baixo, em 3%, nunca foi registado na história da dívida portuguesa desde 1820, segundo a análise da Global Financial Data para os dados disponíveis. Em valores de fecho, o nível mais baixo foi registado em 21 de setembro de 2005, com as yields em 3,16%.
Um custo de financiamento da dívida a 10 anos tão baixo, em 3%, nunca foi registado na história da dívida portuguesa desde 1820, segundo a análise da Global Financial Data para os dados disponíveis. Em valores de fecho, o nível mais baixo foi registado em 21 de setembro de 2005, com as yields em 3,16%.
Há nove meses quando Rui Machete falou numa taxa de 4,5%, toda a oposição veio afirmar que tal seria inatingível. Agora ninguém os ouve. Porque será? E por falar nisso, por onde andará o grupo dos 74 da Versailles, que nunca mais ninguém os ouviu?
(actualizado a 29-8-2014) A política financeira de austeridade seguida em Portugal, conjugada com as declarações do presidente do BCE no sentido de admitir a compra de ativos em mercado secundário, isto é, de atribuir estímulos à economia da Zona Euro, tornaram sustentável a descida das yields da dívida portuguesa.
(actualizado a 29-8-2014) A política financeira de austeridade seguida em Portugal, conjugada com as declarações do presidente do BCE no sentido de admitir a compra de ativos em mercado secundário, isto é, de atribuir estímulos à economia da Zona Euro, tornaram sustentável a descida das yields da dívida portuguesa.
quarta-feira, 20 de agosto de 2014
Maldita espiral recessiva
Por onde andarão os teóricos da espiral recessiva, que nunca mais se ouviu falar deles?
Como diria o Camilo Lourenço, "que chatice, mais um mau dia para as carpideiras". E já agora, o que irão os Antónios dizer hoje, sobre mais esta má noticia para Portugal?
sábado, 19 de julho de 2014
A história do banco do meu avô
Texto da autoria de Carlos Paz*, in Facebook 10-7-204
Vamos IMAGINAR coisas…
Vamos imaginar que o meu avô tinha criado um Banco num País retrógrado, a viver debaixo de um regime ditatorial.
Depois, ocorreu uma revolução.
Foi nomeado um Primeiro-Ministro que, apesar de ser comunista, era filho do dono de uma casa de câmbios. Por esta razão, o dito Primeiro-Ministro demorou muito tempo a decidir a nacionalização da Banca (e, como tal, do Banco do meu avô).
Durante esse período, que mediou entre a revolução e a nacionalização, a minha família, tal como outras semelhantes, conseguiu retirar uma grande fortuna para a América do Sul (e saímos todos livremente do País, apesar do envolvimento direto no regime ditatorial).
Continuemos a IMAGINAR coisas…
Após um período de normal conturbação revolucionária, o País entrou num regime democrático estável. Para acalmar os instintos revolucionários do povo, os políticos, em vez de tentarem explicar a realidade às pessoas, preferiram ser eleitoralistas e “torrar dinheiro”.
Assim, endividaram o País até entrar em banca-rota, por duas vezes (na década de 80).
Nessa altura, perante uma enorme dívida pública, os políticos resolveram privatizar uma parte significativa do património que tinha sido nacionalizado.
Entre este, estava o Banco do meu avô.
E, continuando a IMAGINAR coisas…
A minha família tinha investido o dinheiro que tinha tirado de Portugal em propriedades na América do Sul. Como não acreditávamos nada em Portugal, nenhum de nós quis vender qualquer das propriedades ou empatar qualquer das poupanças da família. Mas, queríamos recomprar o Banco do meu avô.
Então, viemos a Portugal e prometemos aos políticos que estavam no poder e na oposição, que os iríamos recompensar (dinheiro, ofertas, empregos, etc…) por muitos anos, se eles nos vendessem o Banco do meu avô muito barato.
Assim, conseguimos que eles fizessem um preço de (vamos imaginar uma quantia fácil para fazer contas) 100 milhões, para um Banco que valia 150.
Como não queríamos empatar o “nosso” dinheiro, pedimos (vamos imaginar uma quantia) 100 milhões emprestados aos nossos amigos franceses que já tinham ganho muito dinheiro com o meu avô. Com os 100 milhões emprestados comprámos o Banco (o nosso dinheiro, que tínhamos retirado de Portugal, esse ficou sempre guardado).
E assim ficámos donos do Banco do meu avô. Mas tínhamos uma dívida enorme: os tais 100 milhões. Como os franceses sabiam que o Banco valia 150, compraram 25% do Banco por 30 milhões (que valiam 37,5 milhões) e nós ficámos só a dever 70 milhões (100-30=70). Mesmo assim era uma enorme dívida.
Continuemos a IMAGINAR coisas…
Tal como combinado, viemos para Portugal e começámos a cumprir o que tínhamos prometido aos políticos (dinheiro para as campanhas eleitorais, ofertas de vária espécie, convites para todo o tipo de eventos, empregos para os familiares e para os próprios nos momentos em que estavam na oposição, etc…).
Como ainda tínhamos uma grande dívida, resolvemos fazer crescer mais o Banco do meu avô.
Assim, fomos falar com uma nova geração de políticos e prometemos todo o tipo de apoios (dinheiro, ofertas, empregos, etc…) se nos dessem os grandes negócios do Estado.
E eles assim fizeram. E o Banco do meu avô, que tinha sido vendido por 100, quando valia 150, valia agora 200 (por passarem por ele os grandes negócios do Estado).
Mas, mesmo assim, nós ainda devíamos 70 milhões (e tínhamos de pagar, pelo menos uma parte dessa dívida, caso contrário, os franceses ficavam com o Banco do meu avô).
E, continuando a IMAGINAR coisas…
O meu tio, que era presidente do Banco do meu avô, reformou-se. Nessa altura a família estava preparada para nomear um dos meus primos para presidente. Eu queria ser presidente e prometi à família toda um futuro perpétuo de prosperidade se me nomeassem a mim como presidente.
E assim foi. Fui, finalmente, nomeado presidente do Banco do meu avô.
Mas era preciso pagar uma parte da dívida aos franceses. Podíamos vender uma parte do Banco em Bolsa, mas deixávamos de mandar (logo agora que eu era presidente – não podia ser assim).
Então desenhei um plano:
Criei uma empresa, chamada “Grupo do meu avô” (em que a minha família tinha 100% do capital) e passei os nossos 75% do Banco (25% eram dos franceses) para essa nova empresa.
Assim, a família era dona de 100% do “Grupo” que era dono de 75% do Banco.
Falei com os franceses e combinei mudarmos os estatutos do Banco: quem tivesse 25% mandava no Banco (e os franceses não se metiam, a não ser para decidir os dividendos que queriam receber).
Assim, como o Banco agora valia 200, vendemos 50% na Bolsa por 100 (metade dos 200). Com 50 capitalizámos o Banco. Os restantes 50 tirámos para nós (37,5 para a família e 12,5 para os franceses).
Demos também os nossos 37,5 aos franceses e assim ficámos só a dever 32,5 milhões (70-37,5). Ainda era uma grande dívida, mas continuávamos a mandar no Banco do meu avô (apesar da nossa empresa “Grupo do meu avô” só ser dona de 25% - os franceses tinham outros 25% e os restantes 50% estavam dispersos por muitos acionistas).
Ainda tínhamos uma enorme dívida de 32,5 milhões. Mas, a verdade é que continuávamos a mandar no Banco do meu avô e tínhamos transformado uma dívida inicial de 100 em outra de 32,5 (sem termos gasto um tostão da família – o nosso dinheiro continua, ainda hoje, guardado na América do Sul). Convenci-me, nessa altura, que era um génio da finança!
Continuemos a IMAGINAR coisas…
A certa altura, o crédito tornou-se uma coisa muito barata. Eu sabia que tínhamos um limite original de 100 milhões e já só devíamos 32,5 milhões. Assim, a empresa “Grupo do meu avô” voltou a endividar-se: pediu mais 67,5 milhões (voltámos a dever 100 milhões) e desatei a comprar tudo o que fosse possível comprar.
Tornei-me assim, o dono disto tudo (o Banco do meu avô, a Seguradora do meu avô, a Meu avô saúde, a Meu avô hotéis, a Meu avô viagens, a Construtora do meu avô, a Herdade do meu avô onde se brinca aos pobrezinhos, etc…).
Entretanto fui pagando as minhas promessas aos políticos (dinheiro para as campanhas eleitorais, ofertas de vária espécie, convites para todo o tipo de eventos, empregos para os momentos em que estavam na oposição, etc…).
E, continuando a IMAGINAR coisas…
Mas havia agora uma nova geração de políticos. Fui falar com eles e garanti que os apoiaria para o resto da vida (dinheiro, ofertas, empregos, etc…) se eles continuassem a fazer passar os grandes negócios do Estado pelo Banco do meu avô.
Mas, tive azar: houve uma crise financeira internacional.
Deixou de haver crédito. Os juros subiram. Os credores queriam que o Grupo do meu avô pagasse a dívida.
E, além disso tudo, deixou de haver os grandes negócios do Estado.
Mas eu, que me achava um génio da finança e que já estava habituado a ser o dono disto tudo, não queria perder a minha posição de presidente do Banco do meu avô.
Tinha de arranjar uma solução. Fui à procura, e encontrei em África, quem tinha dinheiro sujo e não se importava de investir e deixar-me continuar a mandar e a ser dono disto tudo.
Continuemos a IMAGINAR coisas…
Resolvi então criar uma nova empresa: a “Rio do meu Avô” que passou a ser dona de 100% do capital da “Grupo do meu avô”, que era dona de 25% do “Banco do meu avô”. E eu que era dono disto tudo passei a ser o presidente disto tudo.
Fiz uns estatutos para o “Grupo do meu avô” que diziam que quem tivesse 25% mandava na empresa. Vendi 20% aos Angolanos e 55% na Bolsa. A “Rio do meu avô” ficou assim dona de 25% do “Grupo do meu avô” (mas mandava como se tivesse 100%). A “Grupo do meu avô”, dona de 25% do “Banco do meu avô” (mandava como se tivesse 100%).
Assim, a minha família já só tinha 5% (25% de 25%) do “Banco do meu avô” (mas eu continuava a mandar como se tivéssemos 100%). Já não havia dúvidas: eu era mesmo um génio da finança.
Com os 75 milhões da venda do “Grupo do meu avô” (aos Angolanos e na Bolsa), paguei uma parte da dívida. Mas, na verdade, ainda tínhamos uma dívida de 25 milhões (e continuávamos a não querer mexer no nosso dinheiro – esse continua bem guardado na América do Sul).
E, continuando a IMAGINAR coisas…
Mas as coisas continuaram a correr mal. Se calhar eu não sou assim tão grande génio da finança. Todos os nossos negócios dão prejuízo (até mesmo o Banco do meu avô). Raio de azar. Ainda por cima, a crise não acaba.
Fiz então o meu último golpe de génio. Convenci todos os bons clientes a comprarem ações do Banco do meu avô, para aumentar o capital sem ter de endividar mais a “Rio do meu avô” (e sem ter de tocar no dinheirinho da família, que continua bem guardado na América do Sul).
Mas os franceses queriam o dinheiro deles. Então, como presidente do Banco do meu avô, emprestei dinheiro deste ao Grupo do meu avô e à Rio do meu avô. Assim pagámos aos franceses. Mas ficámos com um problema: o Banco do meu avô está completamente arruinado.
Tinha de arranjar uma solução!
Fui falar com os novos políticos com uma proposta: reformo-me, dou lugares de Administração a uma série de políticos do partido do Governo e eles que resolvam o problema do Banco do meu avô.
Continuemos a IMAGINAR coisas…
Os políticos aceitaram a minha proposta (aceitam sempre que se fala de lugares de Administração).
Finalmente reformei-me. Ainda somos donos de 5% do Banco do meu avô e de uma série de outros negócios (sustentados pelas dívidas ao Banco do meu avô).
Tudo isto sem termos gasto um tostão (o dinheiro da família continua todo guardado na América do Sul).
E, tomei a última medida antes de me reformar: atribuí a mim próprio uma reforma de um milhão de euros por ano (para as despesas correntes).
E, assim, acabou a história IMAGINADA do Banco do meu avô.
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Se alguém teve a paciência de ler este texto até ao fim, deixo uma pergunta: Se esta história em vez de ser IMAGINADA, fosse verdadeira, que fariam ao neto?
*Professor no Instituto Superior de Gestão
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sábado, 5 de julho de 2014
Políticos tiveram os maiores cortes de salários desde 2011
Segundo o Expresso, os representantes do poder legislativo e executivo, onde se incluem deputados, ministros ou presidentes de câmara, tiveram a maior redução de remunerações de toda a Administração Pública, sendo os mais afetados pelas perdas de salários pagos pelo erário público entre outubro de 2011 e outubro de 2013. Perderam exatamente 11 por cento, ou seja, em média, 313 euros mensais.
É certo (e óbvio) que à pessoa concreta, o que lhe interessa, é quanto recebe. Ganhar menos 500 euros é péssimo. Mas essa verba corresponde a impostos, taxas e aumentos dos descontos para a ADSE. E esses impostos e taxas aplicam-se a todos e não especialmente a um grupo profissional. Eu, fora do Estado, recebo menos porque pago mais impostos. Todos recebemos menos porque pagamos mais impostos.
E é assim: nem sempre o que parece é...
E é assim: nem sempre o que parece é...
sábado, 17 de maio de 2014
Bancos pagam imposto recorde
E agora o que é vão dizer os pregadores da desgraça que fazem da cassete de que o Governo só se preocupa em castigar os "pobres" e em proteger os "poderosos", o seu único discurso. Enquanto foi Governo o que é que os socialistas fizeram?
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