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quarta-feira, 10 de junho de 2015

Dia de Portugal - Google

Quando alguns insistem em destruir um dos símbolos mais característicos de Lisboa e de Portugal, que é cada vez mais reconhecido internacionalmente, a Google para homenagear o Dia de Portugal, criou um doodle especial, com as cores nacionais e uma imagem da tão característica Calçada Portuguesa e de um dos seus desenhos mais conhecidos - Mar largo. 

Felizmente que ainda há os que defendem e promovem a nossa Calçada Portuguesa. Parabéns à Google.

segunda-feira, 6 de abril de 2015

A Calçada Portuguesa

Um excelente artigo/estudo sobre a calçada portuguesa, publicado no site ArchDaily Brasil, onde começando por fazer uma introdução histórica, seguido de uma série de indicações técnicas, quer sobre o tipo e tamanho das pedras utilizadas, quer sobre a forma como é construída a calçada portuguesa, nos dá também um conjunto de elementos sobre o custo da calçada portuguesa comparativamente a outros pisos e onde facilmente se conclui, que ao contrário do que é muitas vezes afirmados pelos detractores da calçada, o seu custo não é de forma alguma dos mais elevados, sendo o custo de manutenção (desde que bem construída inicialmente) dos mais baixos

É também feito um contraponto entre os prós e os contras da calçada portuguesa, em que relativamente a estes últimos e à falta de melhores argumentos, voltam a aparecer os já habituais saltos altos dos sapatos das senhoras e a dificuldade de locomoção por parte dos portadores de cadeiras de rodas. Sendo argumentos válidos, principalmente o último, a verdade é que ambos apenas têm razão de ser devido a uma "falta de fiscalização e manutenção nesta área, fazendo com que o trabalho não apresente rigor na sua execução, gerando problemas futuros", com uma deterioração por vezes muito rápida e profunda.

Esta falta de rigor e de qualidade da calçada portuguesa é fruto da "falta de técnicos especializados para uma boa execução destes trabalhos(...). Um investimento nesta área poderia dar oportunidade à criação de formações e postos de trabalho onde se especializassem profissionais na área e a possibilidade de explorar novas técnicas e novo produtos de tratamento da pedra".

Se a escola de calceteiros da Câmara Municipal de Lisboa, só por si não consegue dar resposta a esta questão, seria altura da Câmara pensar na realização de parcerias com as Juntas de Freguesias, que têm responsabilidade na manutenção de uma grande parte da calçada de Lisboa, mas também com as empresas de construção que actuam nesta área um pouco por toda a cidade (contratadas pela própria Câmara mas também por Juntas de Freguesias), de forma a aumentar o número de calceteiros com formação existentes, mas também certificar as empresas que podem estar habilitadas a realizar trabalhos de construção ou manutenção de calçada portuguesa em Lisboa. Desta forma teríamos no minimo a garantia, de que quem faz este trabalho, teria formação e estaria apto para o executar.

E os exemplos de que uma calçada bem construída resiste ao passar dos anos é por exemplo a existente na Av. da Liberdade, alguma da qual provém ainda do então Passeio Público e que ainda hoje se mantém em perfeito estado, ou na Rua Augusta. Mas felizmente também actualmente se vai continuando a fazer boa calçada portuguesa, como é exemplo a recentemente construída junto da entrada principal do El Corte Inglés ou por exemplo em alguns passeios da cidade do Porto, onde calçadas construídas nos últimos 10, ou mais anos, se mantêm em perfeito estado.
Olhai um passeio bem feito, direito, sem buracos nem falhas!?!?
Serão lajetas de lioz?
Serão blocos de cimento?
Betão ou betuminoso?
Não, são as horrendas pedras da calçada portuguesa que, aqui pelo Porto, desde 2001, persistem em ficar bem, para vergonha das suas congéneres de Lisboa...
Luis Salvador Marques Da-Silva in Fórum Cidadania LX

"Contudo ainda permanece o medo do desaparecimento da calçada e perca da identidade de Portugal".

A ler na integra aqui

sábado, 4 de abril de 2015

O Expresso e o tabu do fim da calçada portuguesa em Lisboa

Subordinado ao título "Calçada portuguesa: tradição ou maldição?" o Expresso publica um artigo, que é um ataque totalmente despropositado e tendencioso à calçada portuguesa, dando no sub-titulo a quase certeza do seu fim: "Acabou o tabu sobre o mais típico pavimento português. A calçada portuguesa pode estar, em nome da acessibilidade, no princípio do fim". Nada de mais falso!

O artigo tem por inspiração a pseudo e ilegal consulta popular realizada em Campolide e é lamentável que o Expresso não tenha analisado os contornos deste pseudo referendo, nem referido a verdadeira dimensão de uma votação em que a taxa de abstenção foi de 97%. É com artigos como este, em que não é feita a mínima pesquisa, seguindo-se pelo caminho mais fácil e populista, que o Expresso tem perdido uma parte importante da sua reputação.

Para além disso, ao dar força à substituição da calçada portuguesa, como na referida pseudo consulta, o Expresso volta a cair no mesmo erro e na mesma demagogia do Presidente da Junta de Campolide, referindo apenas a sua substituição por outro tipo de piso, sem referir qual a solução.

Também a participação/entrevista a Pedro Homem de Gouveia, um dos responsáveis pelo plano de acessibilidade pedonal de Lisboa, é altamente tendenciosa, nomeadamente quando argumenta que os idosos, entre outros, preferem circular na faixa de rodagem, por causa dos buracos nos passeios, pois esquece-se de referir, que nomeadamente em Campolide, de onde é dado um desses exemplos, os peões preferem circular na faixa de rodagem, não por causa da calçada portuguesa, mas porque os carros estacionam em cima dos passeios, impedindo uma livre circulação dos peões e danificando irreparavelmente a calçada portuguesa. E isto apenas acontece por falta de fiscalização, nomeadamente por parte da CML. Mais, também não apresenta dados que justifiquem a afirmação de que "os peões que caminham na estrada representam a terceira causa de atropelamentos em Lisboa" e que isso se deve à calçada portuguesa, na medida em que afirma que não existem dados estatísticos sobre esta relação.

Para este assalariado da CML, que devia em primeiro lugar defender um dos principais símbolos de Lisboa, reconhecido internacionalmente, apenas existem defeitos na calçada portuguesa. Uma série de desculpas esfarrapadas, que apenas tentam justificar o injustificável e que mais não é do que a tentativa de, aos poucos se ir acabando com a calçada portuguesa, postura de que a actual vereação socialista da CML tem sido o principal impulsionador, em vez de se apostar seriamente na sua manutenção com qualidade.

Mas lamentável é também o fim do artigo, na parte em que supostamente são referidos os locais onde há calçada artística em Lisboa - 27, segundo Expresso. Ainda menos que os 29 a que a CML reduziu os locais onde diz que a calçada artística será preservada. Tal só se pode admitir se quem escreveu o artigo nunca tiver estado em Lisboa e como tal não conhecer a cidade.

Pior ainda que o número de locais é o facto de dois dos primeiros locais referidos, infelizmente já não terem calçada artística, pois a CML fez o favor de já a ter retirado - Praça do Comércio e Rua da Vitória (e aqui). Teria sido bom que a jornaleira do Expresso se tivesse dado ao trabalho de confirmar, local a local, se ainda lá existia calçada portuguesa e de verificar o estado em que o tal tão bom e milagroso "outro piso" se encontra.

Felizmente que ainda há quem defenda e bem a calçada portuguesa. Apesar de um artigo totalmente tendencioso pelo fim da calçada portuguesa em Lisboa, o Expresso lá deu um pequeno espaço aos defensores da calçada portuguesa que desde que bem feita e mantida é "o chão mais confortável do mundo".

Quanto às virtudes do tão propagado "outro tipo de piso" debruçar-me-ei noutro post.

segunda-feira, 9 de março de 2015

Ainda o pseudo referendo em Campolide


Se dúvidas houvesse sobre o que aconteceu em Campolide, o Sr Presidente de Junta não só vem agora admitir que promoveu um referendo local, como assume que o fez à margem a Lei.

Quem é o Sr. Presidente de Junta, ainda por cima jurista de formação, para "achar" se a uma Lei se aplica ou não a determinada situação. E se a consulta não se aplicava a toda a comunidade, então porque razão os cadernos eleitorais (que se desconhece como foram elaborados ou se foram utilizados cadernos de eleições anteriores e com autorização de quem) consideravam todos os eleitores da Freguesia, pois puderam votar todos os recenseados em Campolide.

Se entendia que a consulta abrangia só uma parte da comunidade, então para ser coerente, deveria ter promovido um recenseamento prévio para apenas votarem os que fizessem parte da tal comunidade. E a seguirmos este brilhante raciocínio do Sr. Presidente de Junta, só deveriam então ser considerados os votos, dos tais que pertencem à tal parte da comunidade.

Enfim, uma série de desculpas esfarrapadas, que apenas tentam justificar o injustificável e que mais não é que a tentativa de aos poucos se ir acabando com a calçada portuguesa, em vez de se apostar seriamente na sua manutenção com qualidade, de que António Costa tem sido o principal impulsionador.

É caso para dizer, que grande lata!

sexta-feira, 6 de março de 2015

Apenas 1,6% da população de Campolide é a favor da alteração da Calçada Portuguesa por outro pavimento

Apesar de ser favorável a que os autarcas auscultem as suas populações sempre que possível, não posso concordar de forma alguma, com processos populistas, à margem da Lei e que  apenas têm como finalidade dar cobertura a decisões de quem não tem coragem de as assumir, apesar de nas últimas eleições autárquicas ter obtido uma confortável maioria, que só por si legitimaria as suas decisões. Assim subscrevi hoje a queixa que o Fórum Cidadania LX, enviou ao Tribunal Constitucional e à Provedoria de Justiça, sobre uma pseudo consulta popular/referendo, que a Junta de Freguesia de Campolide realizou nos 2 últimos dias sobre a calçada portuguesa na Freguesia.

Para além das questões legais, referidas na queixa - cumprimento ou não das regras do referendo local, fiscalização por parte do Tribunal Constitucional sobre a legalidade e isenção das questões e a não deliberação da Assembleia de Freguesia - há a considerar mais uma série de questões legais e de democracia.

A primeira de todas é se quando nem alguns autarcas da Freguesia tinham conhecimento desta consulta, quem é que realmente sabia da sua realização? Foi a população de Campolide, toda, préviamente e devidamente informada do que estava a ser colocado à votação, em que dias, horário e local onde decorreria?

Por outro lado, com que base legal é que a Junta de Freguesia se propõe alterar a totalidade ou partes do piso dos passeios da Freguesia? Com a aprovação da Lei 56/2012, que passou para a alçada das Freguesias várias competências que até há pouco tempo pertenciam exclusivamente à Câmara Municipal, sobre os passeios apenas é referido, no seu artigo 12º, alínea c) "Manter e conservar pavimentos pedonais". Esta cláusula é extremamente clara e precisa e não deixa margem para dúvidas, que a Junta de Freguesia nesta matéria, apenas tem competência para a manutenção e conservação.

O Regime Jurídico do Referendo Local é também muito claro e preciso nas regras que impõe para a realização de um referendo, desde logo quanto às perguntas colocadas a escurtínio, que devem ser "formuladas com objectividade, clareza e precisão e para respostas de sim ou não, sem sugerirem directa ou indirectamente o sentido das respostas" e que as mesmas "não podem ser precedidas de quaisquer considerandos, preâmbulos ou notas explicativas". Mais "A deliberação sobre a realização do referendo compete, (...) à assembleia de freguesia".

Nada disto se verificou. A questão é formulada em alternativa, com uma introdução e adjectivação, que visa influenciar a resposta. E pelo que se sabe a Assembleia de Freguesia não sequer foi consultada. Tudo ilegalidades.

A este respeito, segundo o Observador, o boletim de voto na introdução, refere que a existência de um "protocolo de delegação de competências em que a Câmara Municipal de Lisboa delega na Junta de Freguesia de Campolide a competência de recuperação da pavimentação de algumas vias de trânsito pedonal da Freguesia de Campolide". Que protocolo é este? Que seja do conhecimento público, não me parece que tenha sido celebrado no actual mandato, protocolo entre a Câmara Municipal e a Junta de Freguesia, nesta matéria. E se assim for, é grave, por não corresponder à verdade, o texto apresentado no boletim de voto. 

Por muito que o Sr. Presidente da Junta de Freguesia de Campolide, queira chamar outra coisa ao que se passou em Campolide, aquilo que tentou fazer foi um referendo, acto que tem as suas regras bem definidas na Lei, e que o Sr. Presidente pura e simplesmente ignorou, promovendo uma auscultação popular como muito bem entendeu, sem regras, tendenciosa e de forma populista e demagógica, que teve como únicos e exclusivos fins, validar uma proposta para a qual não teve a coragem politica de a assumir e a de aparecer na comunicação social.

Diga-se em abono da verdade, que esta é já 2ª vez que tal acontece em Campolide, com este Presidente.

Mas quando em qualquer lugar, o resultado de um referendo, que tem uma taxa da abstenção superior a 97%*, seria considerado não vinculativo, o  Sr. Presidente da Junta de Freguesia, ainda tem o descaramento de afirmar que tal se deve ao "facto de o tema não interessar à maioria dos residentes da freguesia", mas que mesmo assim a alteração vai avançar, pois para si o resultado é vinculativo. Ou seja, apesar da fraquíssima participação, o Sr Presidente da Junta sente-se legitimado a ser mais um a contribuir para que lentamente se vá destruindo e acabando com o que há de mais característico de Lisboa, e que tão elogiado é, por esse mundo fora.

Mas se quisermos ir pelo mesmo discurso demagógico, populista e tendencioso do Sr. Presidente da Junta, que ainda hoje de manhã referia no site da Junta de Freguesia, que a abstenção tinha sido de 0%, podemos dizer que apenas 1,6% da população da Freguesia, quer uma alteração ao piso dos passeios, em vez da manutenção da "Calçada, tradicional, à semelhança do que já existe". Ou seja, o Sr. Presidente da Junta vai desrespeitar a opinião dos restantes 98,4%.

Mas o cúmulo deste processo todo é que em parte alguma o Sr. Presidente de Junta, diz quais são as ruas da Freguesia em que pretende alterar o tipo de piso, nem sequer em que é que consiste a alteração. É que é preciso não esquecer, que não houve a coragem de informar a população em que é que consiste a alteração. Será por betão? Por pedra de Lioz? Por alcatrão?

A alternativa proposta à Calçada Portuguesa foi "Outro tipo de pavimento contínuo, mais moderno e seguro", ou seja nenhuma. Porque se a alternativa, é o piso recentemente colocado pela CML, por exemplo na Rua da Vitória, estamos mais do que conversados no que respeita a segurança e conservação, se atendermos ao estado que apresenta, pouco mais de um ano depois de ter sido colocado.

Continuamos portanto a colocar a questão da forma errada e a não querer enfrentar o problema. A questão não deveria ser entre segurança e tradição, mas sim entre uma eficaz e correcta manutenção ou a substituição por outros materiais. E a calçada portuguesa apresenta já hoje em vários locais da cidade, alternativas seguras à simples calçada branca de vidraço. A mistura do vidraço com granito, é uma solução que resolve o problema do escorregar provocado pelo polimento do vidraço, nas ruas mais inclinadas (por exemplo na R. José António Serrano ou na esquina da R. de S. Bento com a Av. Álvares Cabral).



Por fim imagine-se o que seria de Lisboa, se cada um dos 24 Presidentes de Junta, decidisse alterar à sua bela maneira a Calçada Portuguesa, por outros tipos de pisos. Teríamos uma manta de retalhos e perder-se-ia a unidade e um dos elementos característicos, se não mesmo o mais característico de Lisboa.

* Nas últimas eleições para o Parlamento Europeu, realizadas em Maio de 2014, a Freguesia de Campolide tinha 13.545 inscritos nos cadernos eleitorais. Segundo dados da Junta de Freguesia, votaram apenas cerca de 350 pessoas, das quais 214 a favor da alteração, 136 contra e 1 nulo.

domingo, 11 de janeiro de 2015

A calçada portuguesa deve ser preservada

Esteve esta semana em discussão na Assembleia da República, a Petição "Pela Manutenção da Calçada Portuguesa na Cidade de Lisboa!", lançada em 2013 pelo Fórum Cidadania LX e que foi subscrita por mais de 4500 pessoas, de que eu me orgulho de ter sido uma delas.

Desta discussão, que pouco mais foi que isso mesmo, fica a unanimidade dos deputados pelo reconhecimento e dignificação da profissão de calceteiro e pela necessidade da sua preservação. Esperava-se mais. Mas protegidos pela capa da não interferência nas competências da CML, nem uma simples resolução ou recomendação foi apresentada.

Mas este debate foi no entanto importante pelo destaque, mesmo que momentâneo,  que permitiu dar à Calçada Portuguesa e principalmente pela chamada de atenção que alguns Deputados não deixaram de fazer, para o ataque que a CML tem vindo nos últimos tempos a fazer, a este património da cidade de Lisboa.


quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Se não sabem não mexam

 
Os atentados à Calçada Artística Portuguesa, continuam. Em apenas "meia dúzia" de metros, este é o estado em que se encontra a calçada portuguesa na Av. da República, entre os números 20 a 28.

Desde buracos e remendos a mobiliário urbano em cima de desenhos, este é o estado em que se encontra a calçada portuguesa na Av da República, de que este quarteirão é infelizmente um triste exemplo.

Se não sabem tapar buracos em calçada portuguesa, então não mexam.

Numa artéria considerada estruturante pela CML, central da cidade, por onde passam diariamente milhares de pessoas, nomeadamente turistas, este é o exemplo que a Câmara oferece, daquilo que é mais representativo e único da nossa cidade e que deveria estar no topo das prioridades da manutenção e preservação do património de Lisboa.

É urgente que a Câmara olhe para o estado a que está a deixar chegar a Calçada Portuguesa na Av. da República e intervenha urgentemente, de modo a que seja possível travar a degradação a que assistimos diariamente.

Fotos de hoje às 17.00 horas

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Mais um atentado à calçada artística portuguesa

Foto de 13-12-2014
Onde até há algumas semanas tínhamos uma calçada portuguesa artística, com o desenho de uma caravela portuguesa e o brasão da antiga Freguesia de Alvalade, responsável pela recuperação há vários anos deste espaço na Rua de Entrecampos (frente ao número 28), temos agora um alvo, não se percebendo o porquê da alteração, que não seja o de se querer apagar um símbolo da história de Alvalade e de destruir um bom trabalho de calçada artística portuguesa.

Uma obra que não se encontra identificada, não se sabendo se é da iniciativa da Câmara Municipal de Lisboa ou da Junta de Freguesia de Alvalade, e que sem razão aparente, que não seja a de apagar um pouco da história de Alvalade e de Lisboa, substitui a calçada artística existente por uma calçada simples. Alvalade, Lisboa e todos nós ficamos de certeza a perder, com mais uma intervenção no espaço público inexplicável.

Foto de 13-12-2014
A diferença é notória e infelizmente não foi para melhor

Mas se só por si, isto já é inexplicável, a asneira continua na lateral à linha do comboio, onde foi também arrancada a calçada existente e destruída a ciclovia, que poucos anos tinha, para agora andarem a colocar outra calçada e aparentemente a refazer a ciclovia. Sem palavras!!!!

Foto de 13-12-2014
Um agradecimento ao meu amigo Nuno Sousa, que me deu conhecimento desta situação e me enviou as fotos actuais, dizendo-me que "arrancaram a calçada portuguesa toda e andam a fazer para aí um alvo gigante... e na lateral está tudo de patas ao ar alegadamente para uma ciclovia que já existia" e que com muita razão pergunta se "Não há que fazer ao guito na autarquia e/ou na freguesia?"

sábado, 21 de junho de 2014

Postais das Avenidas Novas 8

Rua Filipa da Mata, Bairro Santos

sexta-feira, 25 de abril de 2014

One of the most beautiful cities in the world

In The National, 20-3-2014
Lisboa continua a ser falada e elogiada por esse mundo fora. Desta vez é o The National (primeira publicação em língua Inglês de Abu Dhabi) que considera Lisboa como uma das cidades mais bonitas do mundo.


Até podemos não concordar com a opinião expressa sobre o tráfego, mas se dúvidas houvesse, de que a calçada portuguesa, a nossa calçada, é um dos elementos mais característicos e diferenciadores da nossa cidade, a fotografia que ilustra este artigo e a forma como o jornal se lhe refere, é só por si esclarecedor de que a calçada portuguesa é realmente um tesouro único:


Pena que António Costa e a maioria socialista que governa Lisboa, queiram transformar este nosso tesouro numa espécie em vias de extinção, reduzindo-a a apenas 29 locais.

Artigo na integra a ler aqui

sexta-feira, 18 de abril de 2014

O chão de pedras pretas e brancas nasceu há 172 anos

In Público 5-3-2014
Um pouco de história condensada sobre o nascimento da Calçada Portuguesa, património de Lisboa, parte integrante do seu ADN e da sua história, e que de repente a CML parece querer acabar. A ler aqui

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Terreiro do Paço - o antes e o depois

Valeu a pena?
Esta é uma das obras que a dupla António Costa / Sá Fernandes deixam em Lisboa. Basta de destruírem o nosso património.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Lisboa histórica e turística resumida a 29 locais

In Dinheiro Vivo 24-2-2014
Apesar de reconhecer que a grande maioria dos defeitos e problemas que ultimamente são colocados á caçada portuguesa, são devidos a uma má colocação da calçada, à utilização de materiais de inferior qualidade e a mão de obra não especializada, ao estacionamento abusivo em cima dos passeios e até, pasme-se, à falta de fiscalização, a Câmara insiste em substituir a calçada portuguesa por outros tipos de piso, como recentemente já o fez, por exemplo na Rua da Vitória, sem que a solução encontrada seja menos perigosa para os peões e até com criticas violentas de parte de um dos vereadores municipais.

Durante a discussão do Plano de Acessibilidade Pedonal de Lisboa, que foi aprovado na passada semana na Assembleia Municipal, e que "prevê a substituição da calçada portuguesa, em alguns espaços da cidade, mas não revela quais são as alternativas para a substituição deste pavimento" nem identifica quais são esses locais, a Câmara sempre se defendeu, afirmando que a calçada portuguesa seria mantida nas zonas históricas e turísticas, curiosamente locais por onde a começaram a substituir por outros tipos de piso. Veja-se o caso já citado da Rua da Vitória, a Praça do Comércio ou o miradouro de Santa Catarina.

Pois bem, só agora, após a aprovação do referido Plano, é que a "Câmara Municipal de Lisboa indica os espaços onde será preservada a calçada artística. São eles:


Mas o que tem estado em cima da mesa é a calçada portuguesa como um todo e não particularmente a calçada artística, donde somos levados a concluir que a CML apenas pretende preservar alguns locais (29) onde hoje existe a calçada artística e que no resto da cidade, onde apenas existe a calçada portuguesa lisa ou branca, sejam ou não zonas históricas ou turisticas, nada irá fazer para a preservar.

Mas olhando mais atentamente para a lista dos 29 locais onde, supostamente, será preservada a calçada artística, de repente lembro-me de alguns locais onde ainda existem excelentes trabalhos de calçada artística e que não constam da lista, como a Praça do Município, Rua do Alecrim/Largo Barão de Quintela, o Largo do Carmo, o Largo e Jardim da Estrela, o Padrão dos Descobrimentos ou Praça Luis de Camões entre muitos outros. Será que à semelhança do que aconteceu na Praça do Comércio, também nestes locais a calçada artística vais ser substituída por pedra de lioz?

Na Praça do Comércio era assim. Agora só em fotografia e se não tivermos atenção, brevemente só teremos recordações do que é a magnifica calçada portuguesa, pois a intenção da CML é a de acabar com a mesma, substituindo-a por outros materiais, como a pedra de lioz ou quem sabe até se betão.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Vereador da CML, diz que não gosta do que a Câmara fez na Rua da Vitória

In Público 11-2-2014
Num artigo hoje publicado no Público, sob o titulo "Câmara define cem acções para tornar Lisboa acessível aos que não são super-heróis" o Vereador dos Direitos Sociais (???) da Câmara Municipal de Lisboa, João Afonso, sobre o Plano de Acessibilidade Pedonal de Lisboa, afirmando que “Este não é um plano de remoção da calçada, nem um plano para alteração de pavimentos”, sempre vai afirmando que “A calçada não é um bom pavimento, um pavimento que assegure as melhores condições de acessibilidade. Só é o melhor se tivermos condições para o manter e em determinados sítios”, afirmou o vereador. Aquilo que o autarca defende é que “não há uma solução universal” para a cidade, devendo ser introduzidos diferentes pavimentos consoante as características da zona em causa.

Até poderíamos estar de acordo com o Vereador, quando dá claramente a entender que a calçada tem sido nos últimos largos anos descorada por parte da Câmara, o que tem provocado, juntamente com o estacionamento abusivo em cima dos passeios, uma degradação deste pavimento que faz parte do ADN da cidade e dado argumentos aos que defendem a sua substituição. Em conclusão a Câmara não tem investido nem na manutenção e preservação da calçada portuguesa nem na formação de bons calceteiros.

O problema começa, quando afirma que só será para manter em "alguns sítios". Quais? É legitimo perguntar, quando os locais onde a calçada tem sido recentemente substituída se situam precisamente na zona histórica da cidade, onde a mesma começou - Terreiro do Paço, Rua da Vitória e Miradouro de Santa Catarina.

Mas o mais grave é quando o Vereador tem mesmo o descaramento de afirmar, que o que a CML fez na Rua da Vitória, em que a calçada foi substituída por pedra de lioz, foi uma má escolha, "que não gosta do resultado, desde logo pela falta de aderência do piso quando chove e pelo seu custo. “Tempos de crise poderão evitar esse tipo de solução, espero”. Donte é legitimo concluir, que a solução encontrada foi cara e que será até mais perigosa para os peões do que a calçada, nomeadamente quando chove. Curiosamente dois dos argumentos utilizados, pelos que agora se lembraram de atacar a calçada.....

Pena é, que o que há muito é obvio para muita gente e tem sido alvo de inúmeras criticas, só agora, depois de gastos muitos milhares de euros, a Câmara venha reconhecer ter sido um erro. Espero que este erro sirva de lição e que a Vereação socialista que (des)governa Lisboa, reconsidere os planos que tem para paulatinamente mas em força, ir acabando com a calçada portuguesa.

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Calçada portuguesa em Olivença

Enquanto que por cá António Costa e a maioria socialista da Câmara Municipal de Lisboa, tudo fazem para paulatinamente acabar com a calçada portuguesa, aqui ao lado, na portuguesa vila de Olivença*, onde os sinais característicos da presença portuguesa se mantêm, apesar da governação espanhola, a calçada portuguesa é um dos símbolos mais visíveis, onde nem mesmo um dos nossos símbolos nacional - a esfera armilar, foi retirado.

Num artigo do Público de 29-01-2009 é afirmado que "Não só a língua identifica o passado português de Olivença" que "não se parece com qualquer outra cidade da região extremenha".  

E ao enunciar vários dos sinais que identificam sem sombra para dúvidas o passado de Olivença como português, a calçada portuguesa é a primeira a ser referida: "Reconhece-se a calçada típica portuguesa, a arquitectura manueliana aparece em cada frontaria das igrejas e até a entrada da câmara não se "libertou" do testemunho deixado pelo rei venturoso, que se projecta ainda com particular evidência nas torres de forma quadrada do castelo erguido na cidade."
Pena que em Lisboa, quem governa não tenha o mesmo cuidado e atenção com o nosso passado, a nossa história e com aquela que é uma das principais marcas de Lisboa, se não mesmo a mais importante.

É urgente preservar a calçada portuguesa. Petição "Pela Manutenção da Calçada Portuguesa na Cidade de Lisboa!", assine e divulgue!

*Ocupada por Espanha desde 1801, apesar das determinações internacionais (designadamente o Tratado de Viena de 1815) e dos próprios compromissos assumidos pelo Estado espanhol. Portugal não reconhece a Espanha a soberania sobre o território de Olivença.

Saber mais no site do Grupo dos Amigos de Olivença, aqui e aqui

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

É para isto que a CML quer acabar com a calçada portuguesa

"O pavimento deve ter um acabamento não polido e garantir boa aderência, mesmo na presença de humidade ou água. Alerta-se para o facto de ocorrer um polimento rápido na calçada de vidraço ou noutros pavimentos pétreos igualmente vulneráveis ao polimento."
"O revestimento deve ter ”reflectâncias correspondentes a cores nem demasiado claras nem demasiado escuras”. Os pisos muito claros refletem muita luz, e acentuam as dificuldades de peões com alguns tipos de deficiência visual ou incapacidade de adaptação a variações bruscas de intensidade luminosa, como acontece com as pessoas mais idosas."
(Plano de acessibilidade pedonal de Lisboa/Volume 2 – Via pública – Ponto 12.4.3, página 227)

Se a isto acrescentarmos que é intenção da Câmara Municipal de Lisboa "substituir paulatinamente mas em força a quase totalidade da calçada portuguesa" preservando-a apenas, nas zonas históricas e turísticas, mas que como já nos vem habituando não cumpre o que promove, o resultado é o que podemos ver na Rua da Vitória, onde o novo piso após uma chuvada mais parece um espelho, que contradiz no essencial o previsto no Plano de acessibilidade pedonal de Lisboa, recentemente apresentado pela CML e que de certeza não evitará as quedas (bem pelo contrário), que a CML e António Costa tanto criticam na calçada portuguesa.

Foto retirada do Facebook do meu amigo Vasco Morgado.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Lisboa está entregue aos bichos

Enquanto os estrangeiros elogiam cada vez mais Lisboa, por cá há quem insista em tratá-la cada vez pior.

António Costa continua com o vergonhoso ataque à calçada portuguesa e Sá Fernandes despreza a manutenção dos espaços verdes da Cidade, enquanto continua alegremente a esbanjar dinheiro nas ciclovias, em beneficio de uma minoria e em grave prejuízo para a Lisboa. A ponte pedonal/ciclável, que está a ser construída na 2ª circular e que era suposto não ter custos para a câmara, afinal vai custar à cidade, pelo menos 465.000,00€

sábado, 28 de dezembro de 2013

Associação de Defesa do Património contra remoção da calçada portuguesa na capital

In Café Portugal 8-11-2013
A Associação de Defesa do Património de Lisboa (ADPLx) repudiou a intenção anunciada pelo presidente da Câmara Municipal, António Costa, de retirar a calçada portuguesa das ruas de Lisboa, mantendo-a apenas em algumas zonas turísticas. 

(...) «A calçada portuguesa é a herdeira directa das pavimentações romanas e a expressão portuguesa dessa tradição, embora os desenhos geométricos conhecidos na actualidade, com pedra escura e branca, tenham sido implementados só em 1842», escreveu a ADPLx.

Destacando que a calçada portuguesa é uma «imagem de marca de Portugal, concretamente de Lisboa», a presidente da associação, Aline Hall de Beuvink, defendeu que «não faz qualquer sentido» a remoção da calçada «ao invés de tirar partido desta mais-valia a nível cultural e turístico».

Aline Hall de Beuvink considerou ainda que «a profissão de calceteiro, uma das ainda poucas profissões típicas da cidade de Lisboa, deveria ser dignificada e fomentada, de forma a criar trabalho em tempo difíceis».

«A falta de profissionalismo que se tem verificado na colocação da calçada nos últimos anos é que faz com que esta tenha buracos e se danifique com facilidade, acrescentando-se, para isso, a negligência da Câmara Municipal, no que concerne a fiscalização, manutenção e limpeza das mesmas», acrescentou.

A ADPLx considerou que «dever-se-ia pagar um estudo para melhorar o revestimento da calçada e aperfeiçoar a formação dos calceteiros, e não um estudo para a retirar e substituir, descaracterizando cada vez mais a cidade, e passar a criar guetos turísticos».

A associação sugeriu ainda para «uma maior mobilidade em Lisboa» a «manutenção e limpeza dos passeios, a proibição de estacionamento de carros e uma melhor fiscalização das zonas pedestres». (...)

Ver artigo na integra aqui

sábado, 14 de dezembro de 2013

Petição "Pela Manutenção da Calçada Portuguesa na Cidade de Lisboa!", assine e divulgue!

Considerando que a Calçada Portuguesa é “ex-libris” da cidade de Lisboa, factor identitário da cidade aquém e além-fronteiras, elemento central da sua beleza e luminosidade, ambientalmente sustentável, regulando a temperatura e aumentando a permeabilidade do solo, vantagem competitiva, e, não poucas vezes, elemento valorizador do nosso espaço público;

Considerando que desde há décadas se assiste à má colocação e à pior manutenção da Calçada Portuguesa um pouco por toda a cidade, fruto de um sem-número de problemas por resolver (utilização de material de má qualidade, colocação por não calceteiros, obras constantes no subsolo, estacionamento automóvel nos passeios, etc.), que resultam em calçada esburacada, escorregadia e perigosa para o peão, sobretudo em arruamentos íngremes, contribuindo assim para uma compreensível aversão dos transeuntes à mesma;

Considerando que a Câmara Municipal de Lisboa, incompreensivelmente, tem vindo a procurar resolver este problema de forma ilógica, planeando a sua substituição por blocos de lioz e outros materiais a toda a cidade excepto à Lisboa histórica (contudo já o fez no Miradouro de Sta. Catarina e na Rua da Vitória, por ex.), e não, em vez disso, optando por corrigir as más práticas referidas no parágrafo anterior;

Os abaixo assinados SOLICITAM AO SENHOR PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL DE LISBOA para que providencie no sentido de, doravante, a CML:

1. Combata eficazmente o estacionamento automóvel em cima dos passeios, causa de grande parte da destruição da calçada portuguesa.

2. Proíba a colocação de pedras que não de calçada portuguesa no espaço público de Lisboa, seja em obras da iniciativa da CML seja de terceiros.

3. Regulamente de forma eficaz as obras de infraestruturas (com calendarização regular de inspecções) levadas a cabo por terceiros, obrigando a que aquelas utilizem calceteiros credenciados para o efeito.

4. Dignifique a profissão de calceteiro (incentivos financeiros e outros).

5. Delimite, por via de Regulamento, qual a Lisboa que se considera histórica e turística(nem sempre coincidem, pois alguns dos mais importantes hotéis da cidade estão em zonas a Norte da cidade, mas que nem por isso podem deixar de ter calçada…), e as demais zonagens, e a partir daí elabore uma 'Carta de Risco’.

6. Crie unidades de intervenção imediata de calcetamento, que monitorizem a cidade diariamente a partir dessa zonagem.

7. Elabore e torne público o ‘caderno de encargos’ que se pretende em termos de piso alternativo (materiais, novas abordagens, estética, etc.) nos casos e zonas em que tal se revele inócuo, a fim de se evitar um resultado como o verificado no Miradouro de Santa Catarina.

Se concorda, assine aqui a petição

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Pela defesa da Calçada Portuguesa

In Mar da Palha
Excelente texto em defesa da calçada portuguesa, publicado na página do Facebook - Mar da Palha, que merece uma cuidada leitura e a divulgação por todos os que consideram a proposta de substituição da calçada portuguesa, por outros tipos de pisos, que a Câmara Municipal de Lisboa, de maioria socialista, quer levar a efeito na maioria da cidade e que ao contrário do que a própria CML afirma, no plano de acessibilidade pedonal, atinge desde já as principais zonas históricas e turísticas da cidade. Um atentado à história, à tradição e à cultura da nossa Lisboa, que deve merecer a nossa repulsa e o nossa resistência.

"Todos os dias mostramos o melhor de Lisboa e não nos envolvemos em disputas políticas ou públicas. Desta vez, abrimos uma exceção.

O ataque que a calçada portuguesa tem vindo a sofrer e o que se anuncia deve mobilizar-nos a todos. A calçada portuguesa é um elemento tradicional e distintivo da cidade, que faz parte da sua identidade e ajuda a diferenciá-la, num mundo globalizado e cada vez mais uniformizado.

A calçada portuguesa é também ela responsável pela luminosidade da cidade, pelo embelezamento e dignificação do espaço público (muitas vez o único elemento em determinadas zonas modernas ou suburbanas). Acresce que torna as ruas mais frescas, o que não acontece com materiais como cimento ou alcatrão que absorvem o calor e, ao contrário destes, não impermeabiliza o solo, contribuindo para o melhor escoamento das águas. 

Os problemas normalmente associados à calçada – pedras soltas, piso escorregadio, quedas ou danos no calçado – não são uma característica do piso em si, mas da sua falta de manutenção e de tratamento. O facto de os veículos, pesados e ligeiros, estacionarem selvaticamente em cima dos passeios, o facto de as empresas que intervêm, continuamente e sem coordenação, em cabos e condutas no subsolo, sem reporem o piso ou reporem mas sem pessoal habilitado ou supervisionado, o facto de não serem formados calceteiros (perden-se o conhecimento e morrendo a profissão, colocando piso que se desfaz em semanas, o facto de não existir monitorização e substituição constante por parte de funcionários camarários, levam a que a calçada se deteriore com bastante facilidade, causando os problemas referidos.

Em muitos locais mais inclinados, nas colinas, a Câmara de Lisboa encontrou soluções para evitar quedas, como a inclusão de pedra basáltica rugosa ou escadas no passeio, bem como corrimões, com bons resultados (Chiado, Rua da Vitória, Calçada do Combro).
Quer agora a mesma autarquia limitar a calçada apenas zonas histórias e substituir nas restantes zonas. A grande dúvida será o que se entende por zona histórica e o que custará aos dinheiros públicos substituir nas restantes zonas. 

Na verdade, temos vindo a constatar a colocação de outros tipos de pisos mesmo em zonas histórias (Adamastor, Terreiro do Paço, Areeiro). Será que, além da (crescente e esmagadora) demolição de edifícios históricos que temos vindo a assistir, tanto em zonas históricas como nas zonas mais recentes da cidade (também zonas do sec XX são históricas), bem como a substituição de candeeiros e mobiliário urbano de valor mesmo em zonas antigas (ribeira das naus, adamastor, terreiro do paço) vamos também aceitar que, por vezes, o único elemento de dignificação do espaço público – a calçada – seja também substituída por cimento ou asfalto, através de critérios que apenas oferecem dúvidas?

O que justifica que zonas mais recentes da cidade não possam ter o seu espaço público com calçada? Alguém imagina o Parque das Nações sem os imensos e magníficos espaços públicos com a calçada portuguesa (que aliás, são Prémio Valmor)? E não serão esses espaços que podem atrair turistas a outras zonas da cidade que não não has habituais e mais antigas? 

Sejamos claros, Lisboa é um sucesso cada vez mais mundial porque é uma cidade diferente, com características diferentes. Vamos eliminar um dos poucos elementos distintivos e diferenciadores que nos posiciona no mundo?

É nosso dever defender o património que outras gerações nos legaram, pois somos apenas fiéis depositários e devemos transmiti-lo para o futuro. É nosso dever defender a cidade de Lisboa e contribuir para o seu sucesso no mundo, beneficiando-nos a todos."