terça-feira, 12 de novembro de 2013

Calçada portuguesa, o princípio do fim?

Por Paulo Ferrero* In Público 12-11-2013
A notícia que dá conta da intenção oficial da CML, plasmada na "janela de oportunidade" Plano de Acessibilidade Pedonal de Lisboa (em consulta pública), em substituir, paulatinamente mas em força, a quase totalidade da calçada portuguesa de Lisboa salvo na zona histórica, por novos pavimentos ditos menos perigosos e, supomos, mais fáceis e baratos de colocar e manter, não é nova, apenas recorrente, mas desta vez é a sério, parece.
Desde logo, há duas questões básicas por esclarecer: uma, semântica, sobre o que se entende por "zona histórica" (o novel PDM consagra quase toda a Lisboa como histórica, certo?), outra, de igualdade de género, como agora se diz: a calçada portuguesa passa a ser apenas para turista ver? Só ao turista é "permitido" cair e estatelar-se?
É que ao avançar com esse condicionamento no tratamento do espaço público, a CML passa a ter duas realidades, duas cidades: a do natural e a do turista - afinal de contas, já se passa o mesmo na portagem ao Castelo, dirão os mais sarcásticos, pelo que por aí também nada de novo...
Há também um punhado de esclarecimentos que tardam a vir da CML (quererá mesmo fazê-lo?), e que responda às perguntas, também básicas, infelizmente recorrentes: a escola de calceteiros da CML forma quantos calceteiros por ano? Depois de formados, vão trabalhar com quem? Quem costuma colocar a calçada? É calçada aquilo que é colocado na generalidade do espaço público ou outra coisa qualquer a que se chama calçada? Não é verdade que existem vários tipos de vidrado? Por que razão não é sempre aplicado o melhor vidrado? Qual o ordenado-base de um calceteiro da CML e que incentivos extra há em termos de carreira e outros? Por que não é dignificada esta profissão? Quanto é que custa e quanto demora em média a boa colocação/reparação de 1m2 de calçada portuguesa vs bloco de lioz, por ex.? Quando é que a CML acaba com o estacionamento automóvel em cima dos passeios? Quando é que a CML regulamenta convenientemente as obras avulsas que abrem e fecham o subsolo? Por que não dispõe a CML de brigadas de calceteiros de fiscalização diária aos arruamentos da cidade, de modo a poder corrigir o mau calcetamento no devido tempo? Não é sadio e custa a aceitar que a CML decida unilateralmente (a calçada nem sequer foi minimamente abordada durante a campanha (?) eleitoral recente), mesmo que pela melhor das intenções (maior segurança e conforto aos peões mais velhos, deficientes motores, senhoras de saltos altos ou, simplesmente, aos distraídos), abrir guerra à calçada portuguesa e condicionar Lisboa a duas velocidades: a "moderna", pseudo-asséptica e antiderrapante, e a retrógrada, histórica, para postalinho de ocasião (os belos tapetes de calçada artística de Belém ou da Baixa, etc.) só que a CML já se contradisse ao repavimentar com lioz o miradouro de Santa Catarina e a Rua da Vitória...
Pior, parece haver também duas CML: a que pugna pela boa manutenção da calçada portuguesa e que procura soluções para a dignificar e manter como ex-líbris da cidade a par do azulejo, do fado, dos eléctricos e dos Santos Populares (veja-se a excelente intervenção recente nos passeios íngremes e estreitos das calçadas do Sacramento e do Combro, em que se misturaram dois tipos de pedra, diminuindo drasticamente o risco de escorregadela e o polimento rápido) e a que não vê forma de colocar senão lioz, tantas vezes mal cortado e fica logo sujo, feio e também esburacado e tão escorregadio como a melhor das calçadas - dirão que é mais barato, não precisa de mestres-calceteiros, é de rápida colocação e substituição, e implicará um maior negócio do que um simples cubo de calçada, talvez.
Seja como for, a CML parece esquecer-se de um facto insofismável: a calçada portuguesa é parte intrínseca de Lisboa, faz parte do nosso ADN, como é moda ouvir-se. E é uma vantagem comparativa e competitiva (idem) para a nossa capital, inclusive, chega a ser o elemento distintivo e valorizador de um espaço público (e urbano) feito, regra geral, de pouca valia estética e fraca luminosidade.
Daí este alerta a quem de direito: para que não deixe escapar este trunfo para terras distantes do Brasil, por ex., onde a calçada parece estar já a ser mais acarinhada do que aqui... E para que não ceda ao facilitismo e a supostos ganhos de poupança no curto prazo, pois tal será, creio, um tremendo erro estratégico e que custará caro no longo prazo. Haja CML!
*Fundador do Fórum Cidadania Lx

Guião para a reforma do estado

O Governo apresentou, dia 30 de Outubro  um guião com orientações para a reforma do Estado.

O documento do Governo é uma proposta aberta. 
Porque o futuro do Estado interessa a todos. 
Porque várias das reformas aqui elencadas excedem o tempo desta legislatura. 
Porque a recuperação da soberania de Portugal nos deve permitir a escolha de políticas públicas eficientes e sustentáveis. 
Porque o objectivo de equilíbrio orçamental inscrito no Tratado Europeu contém objectivos de médio e longo prazo. 
Porque a procura de soluções para um Estado melhor não é um exclusivo de qualquer corrente de opinião.

E porque para se poder criticar é preciso conhecer o que o Governo propõe, aqui fica o Guião com as orientações para a Reforma do Estado.

Não há reformas de um Estado multisecular que comecem ou terminem com um documento. Mas estas orientações permitem a possibilidade de abrir um debate racional, participado e necessário que permita melhorar políticas públicas, transversais e sectoriais, de modo a realizar o bem comum. Por isso, esta é uma proposta aberta, dirigida aos partidos políticos e aos parceiros sociais, com a disponibilidade necessária para ouvir, debater, alterar, em nome do interesse nacional que é de todos.

sábado, 9 de novembro de 2013

Mais uma mijadinha das esquerdas?

In Público 9-11-2013


Quando tudo indica que o País está a entrar numa recuperação, que os esforços pedidos aos portugueses começam a produzir efeitos e que o fim do programa assistência financeira é cada vez mais uma realidade, Mário Soares tenta novamente provocar a destabilização politica, que é tudo aquilo que o país não precisa. A Mário Soares o sucesso deste governo e do país são incomodos.

A este propósito e da necessidade de Mário Soares marcar o seu terreno e manter o protagonismo folclórico a que já nos habitou, relembro o que disse Daniel Oliveira, que de uma forma sintética, mas muito objectiva, definiu aquilo que se passou em Maio na Aula Magna, no então primeiro "congresso" das esquerdas:

Bem como a crónica de José António Lima, que na mesma altura relembrava os vários pseudo candidatos a candidatos presidenciais, que Mário Soares tanto gosta de lançar. Será que neste "congresso" vai lançar mais alguém, ou Sampaio da Nóvoa mantem-se na corrida?


quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Máquina revolucionária que permite transplantar árvores sem as danificar

Máquina que permite mudar uma árvore de um local para outro sem a danificar.
À atenção da Câmara Municipal de Lisboa.

É urgente preservar a calçada portuguesa



Por causa de umas senhoras que não gostam da calçada portuguesa, porque ficam com os tacões presos nos passeios, dos idosos, que toda a vida viveram e calcorrearam a calçada portuguesa, mas aos quais parece que só agora é que traz problemas e essencialmente por causa do estacionamento indevido em cima dos passeios, que esse sim danifica profundamente a calçada portuguesa, vai-se acabar uma das principais características de Lisboa, em vez de se se encontrarem soluções que preservem e promovam esta arte.

O que é que se entende por zonas históricas? É que em algumas zonas da cidade, que para o comum dos mortais são históricas, como a Rua da Vitória ou o miradouro de Santa Catarina, parece que o ataque à calçada portuguesa já começou. E ou eu não conheço Lisboa ou será que o Sacramento não é zona histórica?

Não seria  de bom senso, começar por identificar o que se entende por zonas históricas e o que realmente se pretende com esta ideia, antes de começarem a destruir um património único? Alguém se lembra de como era a calçada portuguesa, que rodeava a placa central do Terreiro do Paço e que foi substituída por pedra (mármore?) lisa? Ou será que o Terreiro do Paço não é nem histórico nem turístico?

Mas também há que ter atenção às zonas turísticas,  nomeadamente às zonas da cidade como as Avenidas Novas, onde se localizam alguns dos mais importantes hotéis da cidade.

E as alternativas à calçada portuguesa, não são bem piores e perigosas, nomeadamente em tempo de chuva? 

Esta é uma técnica genuinamente nossa, que tem de ser preservada e melhorada. A solução deve passar por recuperar a verdadeira calçada portuguesa, pois aquilo que se vê actualmente em grande parte da cidade mais não é, como muitos lhe chamam, de amontoados de pedras colocadas por curiosos, que causam a maior parte dos problemas de que muitos se queixam.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Natal por decreto

Depois de há dias ter afirmado que Chávez apareceu sobre a forma de uma imagem e de já antes ter dito que teria aparecido sobre a forma de passarinho, agora Nicolás Maduro, fazendo fé no ditado popular "que o natal é sempre que o homem quiser", anunciou ter assinado um decreto que antecipa o Natal para Novembro, visando a  “felicidade para todo o povo” e "derrotar a amargura" que se vive no país.


Assim se (des)governa um país, distraindo a população de uma inflação que atinge os 50% ao ano, onde falta de tudo desde o leite ao papel higiénico e onde até um Vice-Ministério para a Suprema Felicidade Social do Povo foi criado.

Agora só falta decretar que Hugo Chávez vai ser o próximo Pai Natal.

domingo, 3 de novembro de 2013

Kubrick // One-Point Perspective

Esta montagem mostra a técnica de Kubrick (ou obsessão) com o uso de simetria e perspectiva de um ponto de fuga nos seus filmes.
Um incrível vídeo elaborado a partir de uma montagem de cenas de filmes de Stanley Kubrick, como 2001: A Space Odyssey, A Clockwork Orange (Laranja mecânica), Full Metal Jacket (Nascido para matar), Barry Lindon, The Shining, Eyes Wide Shut (De olhos bem fechados) e Paths of Glory, da autoria de um desconhecido Kagonada, onde nos é dada a ver a técnica do lendário cineasta “One-Point Perspective Shot“, que se traduz num único ponto de fuga em frente dos olhos do espectador.

Há alguns diretores cujos filmes são instantaneamente reconhecíveis, e Stanley Kubrick é um deles. Uma marca dos filmes de Kubrick é o frequente uso de perspectiva de um ponto, concentrada numa única personagem ou objecto, e que cria uma sensação de estarmos presos dentro da cena, em vez de estarmos apenas a assistir a um filme, de que este curto vídeo é um excelente exemplo.

Kubrick usava esta técnica para criar um efeito dramático, muitas vezes com o ponto de fuga no centro morto do quadro, desorientando o espectador e criando tensão nas suas cenas.