sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Polícia, manifestações e o cumprimento da Lei

Quando a polícia não respeita a Lei nem a faz respeitar, que respeito esperam ter, desde ontem, por parte da população?

Abriu-se um precedente grave, em que a primeira vitima foi o Director Nacional da PSP e em que muito provavelmente os principais prejudicados serão os próprios agentes da autoridade oriundos das diversas polícias.

Grave são também as declarações de dirigentes dos diversos sindicatos presentes na manifestação, em que ao mesmo tempo que descartaram qualquer responsabilidade nos acontecimentos, como quem "sacode a água do capote", afirmaram compreender a atitude de quem invadiu as escadarias. Como dirigentes sindicais, de forças a quem cabe manter a ordem pública e o cumprimento da Lei, tinham que ter condenado firmemente a atitude daqueles que incitaram ao derrube das barreiras e à invasão das escadarias.

O regresso dos Marretas

Os Marretas reuniram-se mais uma vez ontem à noite na Aula Magna da Reitoria da Universidade de Lisboa e ninguém melhor que Pacheco Pereira, um dos oradores da noite, para definir o que lá se passou e ao que vêm:


Ideias não têm, apenas o dizer mal por dizer. Apenas o deitar abaixo porque sim. E o que não deixa de ser curioso, é que além da ausência dos principais dirigentes políticos de esquerda, do PS ao BE, foi o facto de a intervenção que maior destaque e ovação despertou, foi a do Marreta Pacheco, que já disse mal de tudo e de todos, que não sabe onde anda e muito menos para onde vai.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Pepsi nunca mais!

Eu sou daqueles que preferi sempre a Coca-Cola à Pepsi. Mas nunca tive nada contra esta última e várias vezes a bebi. Até ontem. Depois desta campanha inqualificável, que visou não só o Cristiano Ronaldo, mas toda uma nação, Pepsi nunca mais!

As desculpas agora apresentadas pela Pepsi, vêm tarde. Não é admissível que uma multinacional, que se encontra instalada no nosso país há vários anos, apele desta forma à violência, contra um símbolo e uma referência de Portugal no mundo.

A resposta dos sempre atentos criativos portugueses não se fez esperar:
Parabéns para aqueles que com um sorriso e elevação souberam, na hora, responder à Pepsi e à sua infame campanha.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Ainda os 4,5% de Rui Machete

Pseudo-intelectuais de esquerda, sindicalistas, jornalistas e profissionais do quanto pior melhor, a começar pelo To Zé (in)Seguro, blasfemaram cobras e lagartos, contra as declarações do Ministro Rui Machete, quando este afirmou que teríamos que chegar a uma taxa de juro 4,5%, se queremos evitar um 2º resgate.

Mais recentemente rejubilaram por a Irlanda ter decidido sair do programa ajustamento pelo seu próprio pé, dispensando qualquer tipo de programa cautelar, seja lá o que isso for ou o que se chame e porque, segundo eles, Portugal vai de certeza continuar a precisar de ser apoiado.

Curiosamente esses mesmos profetas da desgraça, esqueceram-se de referir, que a Irlanda chegou ao fim do seu programa de ajustamento, com uma taxa de juro a 10 anos no mercado secundário de 3,6%.

Aconselho a este propósito a leitura do post "Juro da dívida pública irlandesa a 7 meses do termo do Programa, como era?", publicado no blog 4R - Quarta República a 20 de Novembro.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Troque um litro de leite por meia dúzia de castanhas Magusto REFOOD N. Sra. Fátima - 16 Nov. 16 horas

O núcleo da Re-food de Nossa Senhora de Fátima serve mais de 300 refeições por dia, tem quase 100 parceiros, entre restaurantes, cafés e supermercados, e 250 voluntários, vai promover um magusto solidário no sábado, pelas 16.00h, junto às suas instalações na Av. Poeta Mistral (traseiras da igreja de Fátima).

Com o slogan “Troque um litro de leite por meia dúzia de castanhas”, o projeto Re-food pede às pessoas que queiram participar no magusto para levarem leite ou outros alimentos. 

“Temos muita comida confecionada, que nos é dada pelos restaurantes, mas não temos produtos como leite, iogurtes ou papas. Como ajudamos muitas famílias com crianças, também precisamos de os ter”, disse à agência Lusa Francisca Vermelho, voluntária no Re-food. 

O mote para este magusto é a inauguração das novas instalações do Re-food Nossa Senhora de Fátima, que precisava de ser renovado, “não só para garantir as condições adequadas a este tipo de serviço, mas também permitir preparar mais refeições, já que recebe diariamente pedidos de novos beneficiários”.

Um projecto que merece ser apoiado por todos.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Calçada portuguesa, o princípio do fim?

Por Paulo Ferrero* In Público 12-11-2013
A notícia que dá conta da intenção oficial da CML, plasmada na "janela de oportunidade" Plano de Acessibilidade Pedonal de Lisboa (em consulta pública), em substituir, paulatinamente mas em força, a quase totalidade da calçada portuguesa de Lisboa salvo na zona histórica, por novos pavimentos ditos menos perigosos e, supomos, mais fáceis e baratos de colocar e manter, não é nova, apenas recorrente, mas desta vez é a sério, parece.
Desde logo, há duas questões básicas por esclarecer: uma, semântica, sobre o que se entende por "zona histórica" (o novel PDM consagra quase toda a Lisboa como histórica, certo?), outra, de igualdade de género, como agora se diz: a calçada portuguesa passa a ser apenas para turista ver? Só ao turista é "permitido" cair e estatelar-se?
É que ao avançar com esse condicionamento no tratamento do espaço público, a CML passa a ter duas realidades, duas cidades: a do natural e a do turista - afinal de contas, já se passa o mesmo na portagem ao Castelo, dirão os mais sarcásticos, pelo que por aí também nada de novo...
Há também um punhado de esclarecimentos que tardam a vir da CML (quererá mesmo fazê-lo?), e que responda às perguntas, também básicas, infelizmente recorrentes: a escola de calceteiros da CML forma quantos calceteiros por ano? Depois de formados, vão trabalhar com quem? Quem costuma colocar a calçada? É calçada aquilo que é colocado na generalidade do espaço público ou outra coisa qualquer a que se chama calçada? Não é verdade que existem vários tipos de vidrado? Por que razão não é sempre aplicado o melhor vidrado? Qual o ordenado-base de um calceteiro da CML e que incentivos extra há em termos de carreira e outros? Por que não é dignificada esta profissão? Quanto é que custa e quanto demora em média a boa colocação/reparação de 1m2 de calçada portuguesa vs bloco de lioz, por ex.? Quando é que a CML acaba com o estacionamento automóvel em cima dos passeios? Quando é que a CML regulamenta convenientemente as obras avulsas que abrem e fecham o subsolo? Por que não dispõe a CML de brigadas de calceteiros de fiscalização diária aos arruamentos da cidade, de modo a poder corrigir o mau calcetamento no devido tempo? Não é sadio e custa a aceitar que a CML decida unilateralmente (a calçada nem sequer foi minimamente abordada durante a campanha (?) eleitoral recente), mesmo que pela melhor das intenções (maior segurança e conforto aos peões mais velhos, deficientes motores, senhoras de saltos altos ou, simplesmente, aos distraídos), abrir guerra à calçada portuguesa e condicionar Lisboa a duas velocidades: a "moderna", pseudo-asséptica e antiderrapante, e a retrógrada, histórica, para postalinho de ocasião (os belos tapetes de calçada artística de Belém ou da Baixa, etc.) só que a CML já se contradisse ao repavimentar com lioz o miradouro de Santa Catarina e a Rua da Vitória...
Pior, parece haver também duas CML: a que pugna pela boa manutenção da calçada portuguesa e que procura soluções para a dignificar e manter como ex-líbris da cidade a par do azulejo, do fado, dos eléctricos e dos Santos Populares (veja-se a excelente intervenção recente nos passeios íngremes e estreitos das calçadas do Sacramento e do Combro, em que se misturaram dois tipos de pedra, diminuindo drasticamente o risco de escorregadela e o polimento rápido) e a que não vê forma de colocar senão lioz, tantas vezes mal cortado e fica logo sujo, feio e também esburacado e tão escorregadio como a melhor das calçadas - dirão que é mais barato, não precisa de mestres-calceteiros, é de rápida colocação e substituição, e implicará um maior negócio do que um simples cubo de calçada, talvez.
Seja como for, a CML parece esquecer-se de um facto insofismável: a calçada portuguesa é parte intrínseca de Lisboa, faz parte do nosso ADN, como é moda ouvir-se. E é uma vantagem comparativa e competitiva (idem) para a nossa capital, inclusive, chega a ser o elemento distintivo e valorizador de um espaço público (e urbano) feito, regra geral, de pouca valia estética e fraca luminosidade.
Daí este alerta a quem de direito: para que não deixe escapar este trunfo para terras distantes do Brasil, por ex., onde a calçada parece estar já a ser mais acarinhada do que aqui... E para que não ceda ao facilitismo e a supostos ganhos de poupança no curto prazo, pois tal será, creio, um tremendo erro estratégico e que custará caro no longo prazo. Haja CML!
*Fundador do Fórum Cidadania Lx

Guião para a reforma do estado

O Governo apresentou, dia 30 de Outubro  um guião com orientações para a reforma do Estado.

O documento do Governo é uma proposta aberta. 
Porque o futuro do Estado interessa a todos. 
Porque várias das reformas aqui elencadas excedem o tempo desta legislatura. 
Porque a recuperação da soberania de Portugal nos deve permitir a escolha de políticas públicas eficientes e sustentáveis. 
Porque o objectivo de equilíbrio orçamental inscrito no Tratado Europeu contém objectivos de médio e longo prazo. 
Porque a procura de soluções para um Estado melhor não é um exclusivo de qualquer corrente de opinião.

E porque para se poder criticar é preciso conhecer o que o Governo propõe, aqui fica o Guião com as orientações para a Reforma do Estado.

Não há reformas de um Estado multisecular que comecem ou terminem com um documento. Mas estas orientações permitem a possibilidade de abrir um debate racional, participado e necessário que permita melhorar políticas públicas, transversais e sectoriais, de modo a realizar o bem comum. Por isso, esta é uma proposta aberta, dirigida aos partidos políticos e aos parceiros sociais, com a disponibilidade necessária para ouvir, debater, alterar, em nome do interesse nacional que é de todos.