sábado, 28 de dezembro de 2013

Associação de Defesa do Património contra remoção da calçada portuguesa na capital

In Café Portugal 8-11-2013
A Associação de Defesa do Património de Lisboa (ADPLx) repudiou a intenção anunciada pelo presidente da Câmara Municipal, António Costa, de retirar a calçada portuguesa das ruas de Lisboa, mantendo-a apenas em algumas zonas turísticas. 

(...) «A calçada portuguesa é a herdeira directa das pavimentações romanas e a expressão portuguesa dessa tradição, embora os desenhos geométricos conhecidos na actualidade, com pedra escura e branca, tenham sido implementados só em 1842», escreveu a ADPLx.

Destacando que a calçada portuguesa é uma «imagem de marca de Portugal, concretamente de Lisboa», a presidente da associação, Aline Hall de Beuvink, defendeu que «não faz qualquer sentido» a remoção da calçada «ao invés de tirar partido desta mais-valia a nível cultural e turístico».

Aline Hall de Beuvink considerou ainda que «a profissão de calceteiro, uma das ainda poucas profissões típicas da cidade de Lisboa, deveria ser dignificada e fomentada, de forma a criar trabalho em tempo difíceis».

«A falta de profissionalismo que se tem verificado na colocação da calçada nos últimos anos é que faz com que esta tenha buracos e se danifique com facilidade, acrescentando-se, para isso, a negligência da Câmara Municipal, no que concerne a fiscalização, manutenção e limpeza das mesmas», acrescentou.

A ADPLx considerou que «dever-se-ia pagar um estudo para melhorar o revestimento da calçada e aperfeiçoar a formação dos calceteiros, e não um estudo para a retirar e substituir, descaracterizando cada vez mais a cidade, e passar a criar guetos turísticos».

A associação sugeriu ainda para «uma maior mobilidade em Lisboa» a «manutenção e limpeza dos passeios, a proibição de estacionamento de carros e uma melhor fiscalização das zonas pedestres». (...)

Ver artigo na integra aqui

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Não é gourmet é mal servido


Intervenção de Filipe Homem Fonseca, no encontro "Portugal é agora" no passado dia 11.

Num encontro que se queria apolítico, esta intervenção, que não deixa de ser uma critica politica ao momento actual, abrange algumas realidades que passam despercebidas a muitos, de uma forma séria, mas com humor e que deve servir para reflectirmos, sobre muito do que nos rodeia no dia a dia e de que nem dos damos conta.

O que estamos a fazer agora devia ter sido feito há 14 anos


Quem o diz, é Teixeira dos Santos, Ex-Ministro das Finanças de José Sócrates de 2005 a 2011, que afirma apoiar as medidas que estão a ser seguidas pelo actual Governo, que em seu entender apenas pecam por tardias. Mas vai mesmo mais longe, ao considerar que relativamente aos cortes salariais e de pensões era inevitavel entrar nos rendimentos mais baixos.

É caso para perguntar, porque é que ao fim de 6 anos no Governo Socialista, deixou chegar as finanças públicas ao estado a que chegaram, de quase banca rota e porque é que nada fez que evitasse o pedido de ajuda externa a que o país se viu obrigado e os sacrifícios que, por sua inacção, os portugueses estão a sofrer.

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

BOAS FESTAS

Aos meus amigos, seguidores do blog e a todos os que durante mais um ano, com as vossas visualizações, me incentivaram a continuar com este projecto, desejo um Feliz Natal e que 2014 seja um ano de mudança que permita concretizar os objectivos de cada um.

domingo, 22 de dezembro de 2013

Nada aprendemos com a história

Curioso artigo publicado em “A Lanterna”, a 17 de Dezembro de 1870 e que mais não é que um espelho da triste realidade de esbanjamento e mau uso dos dinheiros públicos, a que assistimos nos 6 anos de governo de um tal engenheiro e que nos deixou na situação financeira de dependência do exterior, em que hoje (e espera-se que por pouco mais tempo) ainda vivemos, mas que para muitos parece ser culpa dos que agora e nos últimos 2 anos, tentam resolver o buraco então criado, em anos de folia continua.

Dizia assim:

O governo português anda mendigando em Londres  um novo empréstimo. 
Os nossos charlatães financeiros não sabem senão estes dois métodos de governo: Empréstimos e impostos.
Por um lado, o governo mandou para as cortes uma carregação de propostas tendentes todas a aumentar de tributos; por outro lado, o governo vai negociar um empréstimo no estrangeiro.
É dinheiro emprestado e dinheiro espoliado.
Pede-se primeiro aos agiotas para pagar às camarilhas; depois tira-se ao povo para pagar aos agiotas!
E ao passo que se trata de um empréstimo em Londres, negoceia-se outro empréstimo com os bancos nacionais.
Este tem carácter de dívida flutuante (dívida pública a curto prazo) interna e é para pagamento da dívida consolidada (dívida pública sem prazo de reembolso) externa!
Este empréstimo que nos está às costas para pagamento no fim de três meses, sai na razão de 13/2%!
E no fim não é dinheiro aplicado a nenhum melhoramento público; é só dinheiro para pagar juros da dívida!
É a dívida a endividar-nos cada vez mais! É a dívida a crescer para pagar as sinecuras do estado! É a dívida a multiplicar-se para não faltarem à corte banquetes, festas, caçadas, folias!
Esta situação é terrível e tanto mais que ela exige para se não agravar, de sacrifícios com que o país não pode e que de mais não deve fazer, quando eles são penas destinados às extravagâncias da corte e ao devorismo do poder, no qual se inscreve agora o novo subsídio aos pais da pátria!"

Tirando a alusão à monarquia reinante há época, o local e método de financiamento, este é um texto actual e que mostra bem que ao longo dos anos, nada aprendemos com os erros do passado. Portugal não pode continuar a querer viver acima das suas possibilidades, pois senão o nosso problema deixa de ser o de sabermos se a origem dos nossos males é o de uma divida interna ou externa exagerada, para passarmos a ter uma divida eterna, com todas as consequências que isso traz para o desenvolvimento nacional e para o bem estar das famílias portuguesas e que hoje bem conhecemos.

O enorme esforço que hoje é pedido aos portugueses, não pode voltar a ser posto em causa por governantes que apenas pensam nas eleições seguintes, não olhando a meios para as vencerem e empenhando gravemente o futuro das gerações futuras.

sábado, 21 de dezembro de 2013

Uma justa homenagem

Nem sempre concordei com o General Ramalho Eanes, nomeadamente nos anos 80, quando algumas das suas posições enquanto Presidente da República foram um forte obstaculo aos Governos da AD e a Sá Carneiro, ou quando fomentou a criação do PRD, a verdade é que Ramalho Eanes é uma das mais importantes figuras da nossa democracia, que com a sua determinante actuação no 25 de Novembro de 1975, veio colocar Portugal de forma definitiva no caminho da democracia, afastando-nos decisivamente de um regime comunista.

Nos últimos anos, apesar de manter uma presença discreta, a forma como tem intervido, sempre sereno e sem protagonismos, com "um sentido apurado do dever e do serviço à causa comum que, ao fim e ao cabo, é o fundamento da política (...) exemplo do que é e deve ser um político, aquele que serve a comunidade.”

Tudo isto faz com que seja escutado com atenção e que seja justamente reconhecido como uma figura charneira da nossa politica, respeitado por todos, ou quase todos, os quadrantes políticos, com excepção dos radicais esquerdistas, defensores do quanto pior melhor.

Prova disso, foi a recente e merecida homenagem que lhe foi prestada e que juntou centenas de pessoas, com  personalidades dos mais variados quadrantes políticos, que apesar de realizada há já quase um mês, não quero aqui deixar de a referir, por a considerar justíssima e oportuna.

No Expresso, João Lemos Ferreira, define muito bem o que faz de Ramalho Eanes uma figura impar nos tempos que correm em Portugal, "Em primeiro lugar, características pessoais únicas: esteve na Política para servir Portugal e não para se servir de Portugal, o que é um fenómeno raro nos tempos que correm. Em segundo lugar, Ramalho Eanes, ao contrário de outros ex-Presidentes, quando expressa opiniões sobre a actualidade política, fá-lo de forma descomprometida e não-alinhada com qualquer força político-partidária ou interesses económicos - diz o que pensa e o que genuinamente acredita ser o melhor para Portugal e para os Portugueses. Ao contrário de outros ex-Presidentes, que organizam comícios na Aula Magna para recuperar o protagonismo político sem o qual não conseguem viver e tentar escolher o líder do respectivo partido, Ramalho Eanes prefere a discrição, a palavra certeira, o discurso de valores, de conselho sábio e esperança no Futuro, reconhecendo que ele protagonizou o passado, é participante do nosso presente mas não poderá ser o futuro. Até esta humildade inspiradora, que outros ex-Presidentes são incapazes de ter, é verdadeiramente notável em Ramalho Eanes".

Como disse no inicio, nem sempre concordei com Ramalho Eanes, como quando em 1980 apoiei empenhadamente o General Soares Carneiro nas eleições Presidenciais, mas reconheço hoje que manteve ao longo dos anos uma coerência na forma de estar na politica portuguesa, como poucos o conseguiram, fazendo com que se mantenha actual o seu slogan de campanha de 1976, muitos prometem... Eanes cumpre, defendendo sempre aquilo que em cada momento acreditava ser o melhor para Portugal e para os Portugueses, sem ceder a pressões, viessem elas da esquerda ou da direita.

domingo, 15 de dezembro de 2013

É tempo de repensar as directas

Numa altura em que já está marcado o próximo Congresso Nacional do PSD, volta a colocar-se a questão das eleições directas, não só para a escolha do líder do partido, mas também para os diversos órgãos partidários (nacionais e distritais).

A introdução das directas tinha como grandes justificações, uma maior participação dos militantes e o fim do chamado voto controlado pelos congressistas, esses sim eleitos pelas bases.



Mas se a participação dos militantes não aumentou com as directas, como tem vindo ainda a reduzir-se, como ainda bem recentemente podemos observar em Lisboa, na eleição da Comissão Politica Distrital, a verdade é que quer o Congresso quer as Assembleias Distritais perderam o grande espaço de debate politico que sempre foram até então, tendo permitido mesmo o aparecimento de lideres em Congresso.

Quem não se lembra o quão empolgante foi o Congresso de 1983 na Figueira da Foz, com um fim que ninguém previa 2 dias antes, ou as fantásticas intervenções (que quase se transformavam em debates) de Pedro Santana Lopes, Alberto João Jardim, Durão Barroso, Ângelo Correia ou Fernando Nogueira, entre muitos outros (para falar apenas nos que tive o enorme prazer de assistir enquanto congressista). Tudo isto acabou com a introdução das directas, onde até o tão proclamado debate com as bases que estas permitiriam, ninguém vê e na prática passou isso sim para os jornais e tv's.

E é preciso não esquecer, que neste processo deixamos de ter uma verdadeira eleição da Comissão Politica Nacional, que se transformou num simples referendo. Depois da eleição pelas bases em directas, o líder eleito escolhe quem quer para dirigir o Partido (e quiçá o país) independentemente da vontade dos militantes. Isto mais não é do que uma jogada do aparelho, que as directas tanto queriam combater.

É tempo de acabar com o populismo das directas e de seriamente se voltar a repensar o método de eleição do líder do partido, da Comissão Politica Nacional e dos orgãos Distritais e principalmente da participação dos militantes na vida interna do Partido.