segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

"É um erro tremendo dizer que queremos renegociar dívida"

In Dinheiro Vivo e TSF 8/2/2014
"O principio da renegociação é um erro". Quem o afirma é o socialista, ex-ministro das Finanças de António Guterres e actual Presidente do Tribunal de Contas, Guilherme d'Oliveira Martins.


Parece que só o Tó Zé (in)Seguro é que ainda não conseguiu perceber aquilo que é o óbvio!

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Governo socialista dos Açores, recusou os navios encomendados aos ENVC, por causa de alterações por si pedidas e que impediram que o Atlândida atingisse a velocidade prevista

Vamos ver se percebi: 

1 - Os Estaleiros de Viana tiveram dúvidas sobre a fiabilidade dos valores do projecto do Atlântida logo ao início da construção. Pediram novos testes, à empresa russa Petrovalt (sugerida pelo armador/governo açoreano), mas o modelo havia sido destruído, situação que contraria a prática comum neste tipo de teste em que o modelo é preservado por um período de cinco anos. Apesar de impossibilitada de comprovar os resultados iniciais, a empresa decidiu continuar com a construção, mesmo assim (só possível numa empresa pública, em que a responsabilidade pelos erros de gestão é de todos, menos dos que as cometem);

2 - O navio possui características específicas feitas à medida do cais dos Açores. A porta de ré, para acesso das viaturas, com abertura lateral é disso exemplo. Mas há outras. O calado do navio, específico para as condições de mar e de cais dos Açores, acabou por contribuir para o impasse em que se encontra há quase cinco anos, onde apesar de alguns interessados internacionais, o navio nunca conseguiu ser vendido;

3 - Perante a evidência da falta de estabilidade do navio, os ENVC são forçados a introduzir alterações estruturais que contribuíram para o peso de deslocamento do navio. O navio deveria ter apresentado um calado de imersão de 4,6 metros mas atingiu os cinco metros.

4 - Durante a construção, o armador pede várias alterações ao projecto inicial:
- De sete suites, o navio passou a ter 20 e mais sete camarotes quádruplos, o que obrigou a reposicionar as unidades de ar condicionado e o gerador de emergência, máquinas que chegam a pesar toneladas face à dimensão do navio. O equipamento foi colocado dois decks acima do previsto, mudança que implicou uma subida do centro de gravidade da embarcação. Para recuperar a estabilidade, os estaleiros tiveram que introduzir 130 toneladas de lastro sólido para baixar o centro de gravidade do Atlântida.
- Substituição do impulsor de proa de 800 Kwh por dois de 600 Kwh cada. Esta substituição naturalmente contribuiu ainda mais para o aumento de peso e também do atrito na deslocação na água e, por consequência, para a redução da velocidade.
- A capacidade prevista no projecto inicial apontava para 12 mini-bus. Este número caiu para oito para aumentar o número de viaturas ligeiras. No total, a embarcação passou a poder transportar 127. O que implicou alterações estruturais de aço significativas, também com repercussões no peso.

E com tudo isto ainda queriam que o navio mantivesse as características de velocidade inicialmente previstas. Era obvio que tal seria impossível. E é precisamente por isso que os Açores recusam o navio (bem como o outro previsto, que nunca foi concluído, não sendo hoje mais que um monte de sucata enferrujada).

Tudo isto se passou durante a gestão de Governos Socialistas, de José Sócrates (Republica) e Carlos César (Açores) e numa empresa pública, paga por todos nós, que pelo que se pode concluir, tudo permitiu. Uma vergonha!!!

Mas até há bem pouco tempo, Comissão de Trabalhadores, Pres da Câmara Municipal de Viana do Castelo (por coincidência socialista), PCP, BE e PS nada disseram. Agora que o Governo encontrou uma solução, que permite manter a construção naval em Viana do Castelo e que defende os trabalhadores, mas que liberta o estado deste enorme fardo financeiro, agora sim vêm todos protestar, mas sem sugerirem uma alternativa.

Argumentam os sindicatos que a nova empresa privada que vai assumir a gestão dos ENVC, nada percebe de construção naval. Mas será que os que por lá passaram nos últimos largos anos, nomeadamente desde 2003, percebiam alguma coisa? É que dos 22 navios entregues entre 2003 e 2013, 20 deram prejuízo, a que somam os mais de 70 milhões de euros pelos 2 navios encomendados pelo Governo Regional dos Açores.

Calçada portuguesa em Olivença

Enquanto que por cá António Costa e a maioria socialista da Câmara Municipal de Lisboa, tudo fazem para paulatinamente acabar com a calçada portuguesa, aqui ao lado, na portuguesa vila de Olivença*, onde os sinais característicos da presença portuguesa se mantêm, apesar da governação espanhola, a calçada portuguesa é um dos símbolos mais visíveis, onde nem mesmo um dos nossos símbolos nacional - a esfera armilar, foi retirado.

Num artigo do Público de 29-01-2009 é afirmado que "Não só a língua identifica o passado português de Olivença" que "não se parece com qualquer outra cidade da região extremenha".  

E ao enunciar vários dos sinais que identificam sem sombra para dúvidas o passado de Olivença como português, a calçada portuguesa é a primeira a ser referida: "Reconhece-se a calçada típica portuguesa, a arquitectura manueliana aparece em cada frontaria das igrejas e até a entrada da câmara não se "libertou" do testemunho deixado pelo rei venturoso, que se projecta ainda com particular evidência nas torres de forma quadrada do castelo erguido na cidade."
Pena que em Lisboa, quem governa não tenha o mesmo cuidado e atenção com o nosso passado, a nossa história e com aquela que é uma das principais marcas de Lisboa, se não mesmo a mais importante.

É urgente preservar a calçada portuguesa. Petição "Pela Manutenção da Calçada Portuguesa na Cidade de Lisboa!", assine e divulgue!

*Ocupada por Espanha desde 1801, apesar das determinações internacionais (designadamente o Tratado de Viena de 1815) e dos próprios compromissos assumidos pelo Estado espanhol. Portugal não reconhece a Espanha a soberania sobre o território de Olivença.

Saber mais no site do Grupo dos Amigos de Olivença, aqui e aqui

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

É para isto que a CML quer acabar com a calçada portuguesa

"O pavimento deve ter um acabamento não polido e garantir boa aderência, mesmo na presença de humidade ou água. Alerta-se para o facto de ocorrer um polimento rápido na calçada de vidraço ou noutros pavimentos pétreos igualmente vulneráveis ao polimento."
"O revestimento deve ter ”reflectâncias correspondentes a cores nem demasiado claras nem demasiado escuras”. Os pisos muito claros refletem muita luz, e acentuam as dificuldades de peões com alguns tipos de deficiência visual ou incapacidade de adaptação a variações bruscas de intensidade luminosa, como acontece com as pessoas mais idosas."
(Plano de acessibilidade pedonal de Lisboa/Volume 2 – Via pública – Ponto 12.4.3, página 227)

Se a isto acrescentarmos que é intenção da Câmara Municipal de Lisboa "substituir paulatinamente mas em força a quase totalidade da calçada portuguesa" preservando-a apenas, nas zonas históricas e turísticas, mas que como já nos vem habituando não cumpre o que promove, o resultado é o que podemos ver na Rua da Vitória, onde o novo piso após uma chuvada mais parece um espelho, que contradiz no essencial o previsto no Plano de acessibilidade pedonal de Lisboa, recentemente apresentado pela CML e que de certeza não evitará as quedas (bem pelo contrário), que a CML e António Costa tanto criticam na calçada portuguesa.

Foto retirada do Facebook do meu amigo Vasco Morgado.

A falácia do aumento da dívida pública

Via O Insurgente 3-2-2014
A propósito das mentiras com que Sócrates continua a brindar os poucos portugueses que ainda o ouvem aos domingos, nomeadamente a de que o actual governo é o único culpado pela continua subida da dívida pública, aqui fica um texto de Carlos Guimarães Pinto no "O Insurgente", sucinto, bem escrito, sem "palavrões" que o comum dos mortais não entende e muito esclarecedor para aqueles que continuam a achar que este governo é o culpado da crise, que Sócrates e os socialistas provocaram e que agora todos estamos a pagar.

Permitam-me acrescentar apenas um comentário do Camilo Lourenço, que retirei do Facebook - "Estou tão farto de falar no assunto da subida da dívidia pública (os défices de um ano são a dívida do ano seguinte) e dos erros de análise (pelo menos 10 pontos percentuais da subida devem-se a dívida que estava escondida e que a Troika obrigou a colocar no perímetro orçamental) que é bom ouvir mais gente a desmistificar a treta do costume..."



sábado, 1 de fevereiro de 2014

Lisboa está entregue aos bichos

Enquanto os estrangeiros elogiam cada vez mais Lisboa, por cá há quem insista em tratá-la cada vez pior.

António Costa continua com o vergonhoso ataque à calçada portuguesa e Sá Fernandes despreza a manutenção dos espaços verdes da Cidade, enquanto continua alegremente a esbanjar dinheiro nas ciclovias, em beneficio de uma minoria e em grave prejuízo para a Lisboa. A ponte pedonal/ciclável, que está a ser construída na 2ª circular e que era suposto não ter custos para a câmara, afinal vai custar à cidade, pelo menos 465.000,00€

Lisboa vista de lá de fora

O canal norte-americano CNN elegeu recentemente Lisboa como a cidade mais cool da Europa. A revista de viagens espanhola 'Condé Nast Traveler' escolheu a Rua Augusta como uma das "31 ruas a percorrer antes de morrer". O The Guardian incluiu o Museu Berardo na lista dos 10 melhores museus gratuitos do mundo. O The Huffington Post distinguiu a estação de metro das Olaias como uma das 20 estações mais bonitas do MundoO site USiteGuides, colocou Lisboa em 4º lugar, na sua lista das 10 cidades mais bonitas do mundo

Estas são apenas algumas das referencias elogiosas de que Lisboa tem sido alvo ultimamente e que muito devem encher de orgulho os Portugueses e muito particularmente os Alfacinhas e que em parte se poderá dever à campanha promovida pela Associação de Turismo de Lisboa em 14 países europeus - “Lisbon, Unique City. Lisbon, City of Light and Sea”.

Pela mão do blog Pensar Lisboa, ficamos também a saber que Lisboa é 40ª cidade mais reputada do mundo no ranking das 100 cidades mundiais com melhor reputação, segundo os resultados do estudo City RepTrak™ 2013 promovido pelo Reputation Institute.

Num post intitulado Ten things I’ve learned about the Portuguese publicado em Março de 2013 no blog Popanth, por uma australiana que vive em Portugal, Erin Taylor, podemos ler "que todo o país se revela extremamente cuidado com "calçadas de pedra"" e que "Comparando com outros países, a investigadora diz que os portugueses são "incrivelmente dedicados" às suas cidades."

Mas enquanto isto, alguns querem e estão lentamente a substituir a calçada portuguesa em Lisboa, por outros tipos de piso, quando esta é precisamente uma das características tão própria e única de Lisboa, que é realçada e fazem de Lisboa, uma das cidades mais bonitas do mundo - The city has an unpolished, seductive appearance; an effortless beauty with captivating details such as cobbled designs, tiled façades, and pastel-colored buildings blending together to give it a singular atmosphere now lost in so many other cities.

Lisboa está na moda e isso é bom. Mas...

Apesar destes elogios, merecidos sem dúvidas, há também uma outra Lisboa que é retratada lá fora e à qual não podemos ficar indiferentes e deixarmo-nos iludir apenas pelo que de bom é dito sobre Lisboa.

Exemplo disso mesmo foi o artigo publicado pela revista boliviana 'Escape', que sob o titulo "Lisboa rachada" começa por afirmar que a "La luz de Lisboa mezcla el olor a pescado asado con los lamentos del fado, en una instantánea incompleta sin las docenas de edificios abandonados que brotan por doquier. Las calles lisboetas son un encanto para los (sin)sentidos. La decadente coquetería de la capital de Portugal es la seña de identidad que la diferencia del resto de metrópolis europeas: infinitos adoquines crudos en rúas que suben y bajan y que vuelven a subir (y a bajar), azulejos en incólumes fachadas rotas, junto a puertas y ventanas tapiadas en casas art decó o modernistas, grafitis para disimular el desamparo de las viviendas apuntaladas. Los carteles anuncian obras de rehabilitación que nunca terminan porque no empiezan. Una metáfora de lo hecho y lo que queda por hacer. De lo que fue y de lo que es. Lisboa. Ciudad resquebrajada."

O artigo continua contabilizando os cerca de 5.000 edifícios vazios, mais 8.000 em mau estado de conservação, afirmando mesmo que Lisboa parece ter saído de um conflito bélico, ilustrando o artigo apenas com fotos de prédios em ruínas e emparedados.

Quem faz uma descrição destas, se bem que com base em números que correspondem a uma realidade que sabemos ser verdadeira, não pode estar de boa fé com Lisboa.

Se queremos que Lisboa continue a ser elogiada lá fora e a ser mencionada de cidade mais bonita, mais cool, é preciso que quem a governa não se esconda atrás do que de bom é dito sobre Lisboa e ao mesmo tempo a esteja a descaracterizar, seja destruindo a calçada portuguesa, seja não agindo no sentido de reabilitar a Lisboa "resquebrajada", que não é, felizmente, a imagem de Lisboa, mas que alguns querem dar da nossa Capital.